Moradores protestam contra o governo do Rio e operação mais letal do Estado, 121 mortos


Moradores do Complexo da Penha e Alemão protestam nesta sexta-feira, 31, contra a megaoperação policial que deixou ao menos 121 mortos no Rio de Janeiro – e foi a mais letal do Estado.

A manifestação ocorre horas depois da cúpula da segurança pública divulgar que 99 dos 117 mortos foram identificados. A comunidade aponta que a ação foi uma chacina nunca antes vista na história. Por volta das 15h15, os manifestantes estavam concentrados na Vila Cruzeiro. Diversos protestos contra o governo de Cláudio Castro e a polícia devem ocorrer nesta sexta em outras regiões do País.

A ação gerou embates entre o governo federal e estadual, apaziguado após Castro e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciarem uma parceria para combater o crime organizado.

Mais cedo, em coletiva de imprensa, o secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, disse que 9 deles são apontados pela polícia como chefes do tráfico em diversas regiões do País.

Curi disse que as comunidades do Rio se tornaram uma espécie de “centro de treinamento” da facção, que tem os complexos da Penha e do Alemão como principais pontos de distribuição de armas e drogas. Na avaliação do delegado, a prisão de Doca, apontado como principal liderança do CV na atualidade – e alvo da operação -, “é uma questão de tempo”.

Na quinta, o governo do Rio informou que o IML está sendo usado exclusivamente para a necropsia dos mortos da operação, e que o atendimento às famílias ocorre em um prédio do Detran, ao lado do instituto. Casos não relacionados à ação policial estão sendo direcionados ao IML de Niterói, na região metropolitana.

A Defensoria Pública do Rio afirmou que foi impedida de acompanhar as perícias, mas montou uma força-tarefa com 40 profissionais para atender as famílias – 106 delas já procuraram o órgão para obter documentos, solicitar sepultamento gratuito e regularizar traslados de corpos para outros Estados. A defensora Mirela Assad, da Coordenação Geral de Programas Institucionais (Cogpi), explicou que parte das dificuldades decorre da ausência de familiares para identificação de suspeitos mortos.

O Ministério Público do Rio de Janeiro está utilizando uma tecnologia capaz de reconstruir digitalmente os corpos. A tecnologia registra com fidelidade todas as lesões externas, auxiliando o trabalho de investigação dos promotores.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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