A edição do Mind Summit realizada em São Paulo nos dias 16 e 17 de setembro de 2026 colocou em evidência a necessidade de mudanças estruturais nas organizações para combater o esgotamento profissional. O evento focou na premissa de que o bem-estar dos colaboradores está diretamente ligado ao desenho das atividades laborais, indo além de medidas superficiais de lazer oferecidas por empresas.
A curadora do evento, Adriana Drulla, psicóloga e economista, destacou que gestores frequentemente cometem o erro de delegar ao funcionário a responsabilidade pelo próprio estresse. Segundo a especialista, a implementação de zonas de lazer, como mesas de jogos, não ataca a raiz dos problemas, que reside no fluxo de trabalho, na divisão de tarefas e na dinâmica hierárquica das instituições.
O Mind Summit propôs uma nova abordagem ao tratar a saúde mental como um indicador de performance e lucratividade. A tese central do encontro defende que a infraestrutura organizacional deve ser desenhada para sustentar o desempenho a longo prazo, evitando o estresse crônico que compromete a produtividade e a saúde dos trabalhadores.
Durante os workshops, os participantes foram instruídos sobre como redesenhar processos internos e consolidar rituais de gestão eficazes. O foco foi capacitar lideranças em habilidades essenciais, como a condução de conversas difíceis e a aplicação de feedbacks estruturados, ferramentas que impactam diretamente o ambiente de trabalho e a qualidade das relações interpessoais.
Um dos pilares do evento foi a apresentação de dados científicos para convencer lideranças mais conservadoras sobre a viabilidade econômica de ambientes saudáveis. A curadora ressaltou que, ao apresentar evidências concretas, as iniciativas de bem-estar deixam de ser vistas como benefícios acessórios e passam a ser compreendidas como estratégias legítimas de gestão.
O evento reuniu nomes de peso do cenário acadêmico internacional para discutir temas como liderança, cultura organizacional e felicidade no trabalho. Entre os especialistas presentes estavam Amy Edmondson, da Harvard Business School, e Christina Maslach, da Universidade da Califórnia em Berkeley, criadora do principal instrumento científico para avaliação de burnout. A programação também contou com a participação de Jan-Emmanuel De Neve, de Oxford, e Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, Riverside, reforçando o caráter técnico e científico das discussões.
Para mais detalhes sobre as metodologias apresentadas e os próximos passos do setor, os interessados podem acessar o site oficial do evento.
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