A capital goiana foi palco de uma mobilização expressiva na manhã desta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, durante as celebrações do Dia da Independência. O 32º Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu centenas de participantes na Catedral Metropolitana, localizada na Avenida Universitária, para dar visibilidade a uma série de reivindicações sociais que marcam a pauta de movimentos populares e sindicais em todo o território nacional.
O ato, que se consolidou como uma alternativa política às celebrações cívicas tradicionais, teve como ponto de partida a região central da cidade, seguindo em caminhada até a Praça da Paz. Ao longo do percurso, os manifestantes destacaram a urgência de políticas públicas voltadas para áreas fundamentais, como o direito à moradia digna, a reforma agrária e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, o SUS.
Pautas sociais e o lema da edição de 2026
A edição deste ano adotou o tema central Vida em Primeiro Lugar, acompanhado pelo lema que enfatiza a defesa da terra, da paz e da moradia. A mobilização em Goiânia focou especialmente na proteção da soberania nacional e no combate sistemático à violência contra as mulheres, com ênfase na prevenção ao feminicídio.
Os organizadores ressaltaram que a escolha dos temas reflete os desafios enfrentados pela população brasileira, incluindo o aumento dos conflitos agrários e a dificuldade de acesso a habitações urbanas. A defesa da democracia e a participação popular na gestão dos recursos naturais também ocuparam espaço central nos discursos realizados durante o evento.
Histórico e abrangência nacional do movimento
Desde sua criação em 1995, o Grito dos Excluídos ocorre anualmente no período que circunda o 7 de setembro. A iniciativa busca contrapor a narrativa oficial da Independência com a realidade vivida por parcelas da população que ainda enfrentam desigualdades sociais profundas. Em 2026, a coordenação nacional do movimento articulou a participação de 21 organizações distintas.
Além da capital goiana, diversas outras cidades registraram atos simultâneos, incluindo São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife, Curitiba, Macapá, João Pessoa e Brasília. Essa capilaridade demonstra a força da articulação entre sindicatos, pastorais, igrejas e entidades da sociedade civil que compõem a base do movimento.
Convivência com as celebrações oficiais na capital
Em Goiânia, a manifestação integrou um cenário diversificado de eventos no feriado. Enquanto o desfile cívico-militar ocorria no Centro, reunindo instituições de segurança e escolas, o Grito dos Excluídos manteve seu foco em reivindicações de direitos fundamentais. A programação na Praça da Paz incluiu atividades culturais e apresentações musicais, reforçando o caráter de protesto e celebração da resistência popular.
O evento transcorreu com a presença de trabalhadores e representantes de diversos movimentos sociais, que utilizaram o espaço público para dialogar com a sociedade sobre as disparidades sociais. A pluralidade de pautas, que vai desde a saúde pública até a proteção dos recursos naturais, reafirma o papel do movimento como um canal de expressão para as demandas que frequentemente ficam à margem das agendas governamentais.



