O julgamento dos policiais acusados pelo homicídio do advogado Davi Sebba, ocorrido em Goiânia, foi oficialmente reagendado para os dias 1 e 2 de outubro. A decisão foi comunicada pelo juiz Antônio Fernandes de Oliveira, alterando a data anteriormente prevista para o dia 3 de setembro. O caso, que se arrasta há mais de uma década, gera grande expectativa entre os familiares da vítima, que buscam por uma resposta definitiva do Poder Judiciário.
A remarcação, segundo informações prestadas pelo advogado da família, Allan Hahnemann Ferreira, ocorreu devido a uma necessidade de readequação da pauta do tribunal. Após 14 anos de espera por justiça, o processo segue para uma fase decisiva, onde a conduta dos agentes envolvidos será submetida ao crivo do júri popular na capital goiana.
Contexto do crime e desdobramentos processuais
O assassinato de Davi Sebba aconteceu no dia 5 de julho de 2012, no estacionamento de um supermercado situado na Vila União, em Goiânia. Na ocasião, a vítima havia se deslocado ao estabelecimento para comprar itens de higiene para o filho recém-nascido, enquanto sua esposa estava internada para o parto. O advogado foi atingido por um disparo de arma de fogo no peito, vindo a óbito no local.
À época do ocorrido, a Polícia Civil indiciou quatro policiais militares pelo crime. Posteriormente, o Ministério Público de Goiás (MPGO) ofereceu denúncia contra três deles. O caso passou por diversas fases recursais, incluindo uma absolvição parcial em 2017, que foi revertida após intensos esforços da acusação para que o homicídio fosse julgado com as devidas qualificadoras.
Mudanças na tipificação penal e recursos
A batalha jurídica ganhou novos contornos em 2022, quando o Tribunal de Justiça de Goiás acatou o recurso para que o crime fosse classificado como homicídio doloso, com a qualificadora de impossibilidade de defesa da vítima. Essa decisão foi fundamental para o avanço do processo, que buscava a responsabilização integral dos envolvidos.
Em abril de 2023, um novo desdobramento confirmou que os três acusados deveriam enfrentar o júri popular. Além da acusação de homicídio, o processo abrange crimes como porte ilegal de arma de fogo com numeração suprimida, fraude processual e usurpação de função pública. Para mais detalhes sobre o andamento de processos criminais no estado, consulte o Tribunal de Justiça de Goiás.
Defesa e posicionamento das partes
O processo envolve dois policiais militares e um ex-policial militar. Ao longo dos anos, a família de Davi Sebba contestou veementemente as investigações iniciais, que apontavam o advogado como alvo de uma operação de tráfico internacional de drogas. Os familiares sempre negaram qualquer vínculo de Sebba com atividades ilícitas e denunciaram, desde o início, que a cena do crime teria sido alterada.
A reportagem buscou contato com as defesas dos réus Jonathas Jordão, Edinailton Souza e Luiz Oliveira para obter posicionamentos sobre a nova data do julgamento. Até o momento, não houve retorno ou localização dos representantes legais dos acusados, mantendo-se o foco do judiciário na realização do júri em outubro.


