Ministério Público suspende corte de gameleiras históricas na Praça da Cirrose em Goiânia

A decisão da promotora de Justiça Alice de Almeida Freire, da 7ª Promotoria de Justiça de Goiânia, visa garantir a preservação do patrimônio ambiental e apurar a regularidade dos procedimentos administrativos que embasaram as solicitações de corte. O órgão ministerial instaurou um procedimento preparatório para investigar as razões das mudanças nos diagnósticos técnicos apresentados ao longo dos últimos meses.
Divergências técnicas nos laudos da Amma
O histórico de avaliações sobre as árvores revela uma oscilação preocupante nos pareceres técnicos. Em novembro de 2024, a primeira vistoria apontou necrose e risco de queda, sugerindo a retirada de duas árvores. Contudo, em abril de 2026, uma nova análise técnica constatou que os exemplares apresentavam equilíbrio estrutural e condições regulares, recomendando apenas intervenções de poda e manutenção preventiva.
A situação mudou novamente em agosto de 2026, quando a Amma voltou a indicar a supressão de dois exemplares. A falta de clareza sobre os fatores que motivaram essa alternância de conclusões foi o principal ponto de questionamento do MPGO. O órgão ressalta que os processos administrativos e registros fotográficos das vistorias não foram devidamente apresentados nos autos, impedindo a compreensão técnica das decisões.
Exigências e novas perícias ambientais
O município possui um prazo de dez dias úteis para encaminhar ao Ministério Público a íntegra dos três laudos técnicos e prestar esclarecimentos detalhados sobre as alterações identificadas. Além disso, deverá ser realizada uma nova vistoria nos quatro exemplares, desta vez com o acompanhamento da Coordenadoria de Apoio Técnico-Pericial (Catep) do MPGO.
A nova análise deve priorizar alternativas que evitem o corte, como a realização de dendrocirurgia, podas técnicas seletivas e a ampliação da área permeável ao redor das árvores. O Ministério Público reforça que a supressão de árvores adultas é uma medida irreversível e deve estar em estrita conformidade com o Plano Diretor de Arborização Urbana de Goiânia, que confere proteção especial a exemplares de valor histórico e paisagístico.
Mobilização popular pela preservação
A resistência à retirada das árvores ganhou força com a mobilização de moradores e grupos de defesa do meio ambiente. Manifestantes ocuparam a Praça da Cirrose para protestar contra a possível derrubada, defendendo que a gestão municipal foque em medidas de conservação, como a remoção de galhos secos e o tratamento fitossanitário adequado, antes de cogitar qualquer medida extrema.
O MPGO alertou que o descumprimento da recomendação ou o envio de respostas insuficientes poderá resultar em medidas judiciais severas, incluindo o ajuizamento de uma ação civil pública com pedido de tutela de urgência. A Agência Municipal do Meio Ambiente foi procurada para comentar o caso e o espaço permanece aberto para manifestações oficiais.


