Mesmo em diferentes provas, o Cerrado é um tema essencial para quem estuda Ciências Biológicas e áreas afins. Segundo maior bioma do Brasil, ele é fundamental para o equilíbrio ambiental do país, mas pesquisadores destacam que ainda recebe pouca atenção nas políticas públicas e nos debates globais sobre o clima.
Com a prova de Ciências da Natureza do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) marcada para o dia 16 de novembro e com a COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025) acontecendo, esse é um assunto que vale a pena revisar e se preparar para uma boa prova!
O bioma ocupa cerca de 2 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, quase um quarto de todo o território brasileiro. Ele só perde em tamanho para a Amazônia e está em todas as regiões brasileiras, nestes em 12 estados: Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul (Centro-oeste), Minas Gerais, São Paulo (Sudeste), Bahia, Piauí, Maranhão (Nordeste), Rondônia, Pará (Norte), Paraná (Sul) e no Distrito Federal.
A seguir, os especialistas da Rede Biota Cerrado, Guarino Colli, do Departamento de Zoologia da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador da Rede Biota Cerrado; Maria Julia Martins, diretora da UnB Cerrado e formada em Ciências Biológicas; Sula Salani, professora da UnDF e parte da equipe do Laboratório dos Bentos – UnB; e Dione Moura, jornalista ambiental, explicam a relevância do Cerrado e da COP30. Confira!
O Cerrado é chamado de “berço das águas”, por abrigar as principais bacias hidrográficas do país, garantindo água para milhões de pessoas. O bioma também é conhecido por ser uma floresta invertida, porque as raízes de suas árvores são profundas, passando de 20 metros abaixo do solo. Isso ajuda a captar a água do lençol freático e resistir no período seco. A degradação dele ameaça o abastecimento urbano, a agricultura e a geração de energia.
O avanço da fronteira agrícola, como Matopiba e os incêndios recorrentes, tornam o bioma um dos mais ameaçados do Brasil. Matopiba é uma região do Brasil que combina partes dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, formada por áreas de Cerrado e é considerada a última grande fronteira agrícola do país. A sigla (Matopiba) é um acrônimo com as iniciais desses estados.
A região se destaca pela grande expansão do agronegócio, principalmente no cultivo de grãos como soja e milho, além de algodão. As práticas agrícolas sustentáveis podem ajudar na conservação, mas o avanço descontrolado e degradação extensiva afeta solos, água e biodiversidade.
O uso ineficiente da água, o fogo de alta severidade e os eventos climáticos extremos vêm degradando o Cerrado e comprometendo serviços ecossistêmicos cruciais para a população brasileira.
Sinais consistentes indicam aumento de temperatura, atraso no início da estação chuvosa, redução da precipitação e queda das razões em diversas bacias do bioma, com repercussões diretas na economia e na saúde pública. O avanço de incêndios severos sobre nascentes e veredas intensifica as emissões de gases do efeito estufa, a degradação de solos e a perda de biodiversidade.
Povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais mantêm modos de vida sustentáveis que o conservam e saberes que podem ser compartilhados. Proteger a natureza é também garantir justiça climática e social. Ao conciliar os saberes tradicionais com o conhecimento técnico-científico, buscam-se soluções que respeitem a diversidade cultural, social, conservem a biodiversidade e promovam paisagens mais resilientes.
Cada vez mais temas ambientais estão sendo debatidos e discutidos, como o bioma Cerrado e a COP30. Incluir o bioma em exames nacionais, como o Enem e concursos públicos, ou em negociações da COP30, é reconhecer seu papel estratégico para o futuro do planeta.
O Cerrado é o bioma mais diverso em espécies vegetais do planeta tropical e abriga animais e plantas/árvores endêmicas, como o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o tatu-canastra (Priodontes maximus), a ema (Rhea americana), a seriema (Cariama cristata), o tucano-toco (Ramphastos toco), o pequi (Caryocar brasiliense), a cagaiteira (Eugenia dysenterica), a sucupira (Pterodon emarginatus) e o ipê-amarelo (Handroanthus albus), muitos dos quais estão ameaçados de extinção.
Lembre-se, o Cerrado tem importância científica e ecológica. A vegetação de raízes profundas recicla e infiltra água, alimentando lençóis freáticos e garantindo vazões para abastecimento urbano, agricultura, energia hidrelétrica e navegação.
A 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima, conhecida como COP30, é o maior evento global para discutir e negociar ações contra as mudanças climáticas. Em 2025, o evento acontece em Belém, no Pará, sendo a primeira vez em que o Brasil sedia a conferência.
Um encontro anual que reúne líderes mundiais, cientistas, ONGs e representantes da sociedade civil para debater soluções sobre temas como aquecimento global, energias renováveis e biodiversidade. Alguns temas que serão debatidos: adaptação e mitigação climática, bioeconomia, soluções baseadas na natureza, entre outros.
É um assunto relevante para quem estuda atualidades e questões ambientais, pois pode ter questões no Enem, em concursos públicos e nas pautas internacionais.
Por Tayanne Silva e revisado pela Sula Salani
Fonte: Portal EdiCase
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