A Justiça de Goiás determinou a manutenção da prisão preventiva de Gabriel de Castro Ferreira, de 19 anos, investigado pelo desaparecimento de uma adolescente de 13 anos em Anápolis. O jovem, que teve a detenção convertida após audiência de custódia, responde pelos crimes de cárcere privado e estupro de vulnerável, conforme apontam as investigações da Polícia Civil.
O caso ganhou repercussão após a adolescente ser encontrada pelas autoridades em um barracão abandonado, localizado nas proximidades da Vila Esperança. A estrutura do imóvel, que estava trancada com correntes e cadeados, reforçou a gravidade das acusações que pesam contra o suspeito, que já estava sob custódia desde o momento em que a vítima foi localizada.
Em depoimento e entrevistas concedidas antes de ser transferido para o sistema prisional, Gabriel de Castro Ferreira admitiu ter sido o mentor intelectual do plano. Segundo o relato do suspeito, o contato com a adolescente teve início por meio de redes sociais, após uma apresentação feita por uma amiga em comum. O jovem afirmou que, durante as interações digitais, identificou-se com relatos de problemas pessoais da menor, o que teria motivado a ideia de organizar a saída dela de casa.
O investigado detalhou que orientou a adolescente a deixar a residência da família durante o período da madrugada. Entre as instruções dadas, ele teria solicitado que a menina evitasse áreas monitoradas por câmeras de segurança e descartasse o aparelho celular para dificultar o rastreamento feito pelas forças de segurança. Gabriel afirmou que morava sozinho na cidade e que não contou com a ajuda de terceiros para executar a logística do desaparecimento.
A delegada Aline Lopes, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), conduz o inquérito que apura as circunstâncias do crime. A legislação brasileira é clara ao classificar como estupro de vulnerável qualquer ato sexual praticado com menores de 14 anos, independentemente de haver consentimento por parte da vítima. Esse ponto é central na acusação, visto que a idade da adolescente torna a prática criminosa, conforme o Código Penal Brasileiro.
Embora o jovem tenha alegado que a adolescente não permaneceu todo o tempo no barracão e que teria oferecido assistência básica, como alimentação e higiene, tais justificativas não alteram a natureza dos crimes imputados. A Justiça considerou, ao manter a prisão, o risco de reiteração delitiva e a dificuldade de monitorar o acesso do suspeito a meios digitais, que poderiam ser utilizados para novas aproximações com outros menores.
A audiência de custódia consolidou a necessidade da segregação cautelar de Gabriel para garantir a ordem pública. O magistrado responsável pelo caso avaliou que a liberdade do investigado representaria um perigo, dada a facilidade com que ele arquitetou o afastamento da adolescente do convívio familiar. A família da vítima, por sua vez, tem colaborado com as autoridades para o esclarecimento total dos fatos.
O inquérito policial segue em andamento na DPCA de Anápolis. Nos próximos dias, a equipe de investigação deve realizar a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e colher novos depoimentos para encerrar a apuração. O objetivo é detalhar toda a cronologia dos eventos e confirmar se houve outros desdobramentos na relação entre o suspeito e a adolescente durante os três dias em que ela esteve desaparecida.
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