A Justiça de Goiás determinou a manutenção da prisão preventiva de um jovem de 19 anos, principal investigado pelo desaparecimento de uma adolescente de 13 anos em Anápolis. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (11), logo após a realização da audiência de custódia que converteu o flagrante anterior em uma medida cautelar mais rigorosa.
O caso ganhou repercussão após a adolescente ter sido localizada na quarta-feira (09), três dias depois de ter saído de casa durante a madrugada. A investigação, conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), aponta para a prática dos crimes de cárcere privado e estupro de vulnerável. A tipificação penal é sustentada pela idade da vítima, que, por ser menor de 14 anos, é considerada legalmente incapaz de consentir com as práticas sexuais, independentemente de sua vontade declarada.
Durante a audiência de custódia, o magistrado responsável pelo caso avaliou elementos cruciais para a manutenção do suspeito atrás das grades. A delegada Aline Lopes, titular da DPCA, reforçou que a legislação brasileira é clara ao proteger menores de 14 anos de qualquer tipo de consentimento em situações dessa natureza. A decisão judicial levou em conta, principalmente, a necessidade de garantir a ordem pública e a proteção da integridade da adolescente.
Outro ponto determinante para a conversão da prisão foi o risco iminente de reiteração delitiva. O Judiciário considerou que o suspeito poderia utilizar as redes sociais para se aproximar de outros menores de idade caso fosse colocado em liberdade. A dificuldade técnica em monitorar o acesso do investigado à rede mundial de computadores foi um fator decisivo para que o juiz optasse por mantê-lo detido enquanto o inquérito policial segue em curso.
As investigações revelaram que o planejamento da fuga envolveu estratégias para dificultar o trabalho das forças de segurança. Segundo os relatos colhidos pela Polícia Civil, o jovem teria orientado a adolescente a sair de casa durante a madrugada e a evitar rotas monitoradas por câmeras de segurança. Além disso, ele teria instruído a jovem a destruir o próprio aparelho celular para impedir que a localização fosse rastreada pelos familiares e pelas autoridades.
A adolescente foi encontrada em um barracão abandonado nas proximidades da Vila Esperança. O local apresentava condições precárias de segurança, estando trancado por fora com correntes, cadeados e tábuas, contendo apenas um colchão em seu interior. Após o resgate, a vítima foi encaminhada à delegacia para prestar depoimento e submetida a exames de corpo de delito para a continuidade do processo investigativo, conforme reportado pelo portal Portal 6.
Embora a hipótese inicial da polícia fosse de que o casal teria se conhecido através de plataformas digitais, a adolescente alegou em depoimento que o contato teria sido intermediado por uma amiga em comum. A Polícia Civil continua analisando os dispositivos apreendidos e os registros de comunicação para confirmar a veracidade das informações e identificar se houve a participação de terceiros no auxílio ao cárcere privado.
O caso permanece sob sigilo de justiça devido à idade da vítima, garantindo a proteção integral prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A DPCA segue realizando diligências para finalizar o inquérito, que deverá ser remetido ao Ministério Público para a oferta de denúncia formal contra o suspeito pelos crimes imputados.
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