Hoje, 24 de junho, comemora-se o Dia Internacional do Leite — uma oportunidade para refletir sobre a importância desse alimento tão presente no cotidiano e, ao mesmo tempo, cercado de polêmicas. Desde a infância, o leite integra a alimentação de muitas pessoas, sendo reconhecido por seu valor nutricional, especialmente como fonte de cálcio e proteínas.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mais de 6 bilhões de pessoas ao redor do mundo consomem leite e derivados, com destaque para os países em desenvolvimento. Apesar de sua ampla aceitação, o leite de vaca ainda gera muitas dúvidas e debates sobre os possíveis efeitos na saúde.
“Existe uma polêmica envolvendo o leite por falarem que ele é inflamatório, atrapalha a perda de peso, aumenta a produção de muco, entre outros mitos. Mas o que a sociedade médica sabe é que o leite é um alimento completo, repleto de benefícios e seguro para o consumo de pessoas saudáveis”, afirma o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN e fundador da Clínica Versio, em Vitória (ES).
O médico esclarece “que algumas pessoas têm intolerância à lactose, uma deficiência na produção da enzima lactase, responsável pela digestão da lactose, e que pode gerar fermentação e sintomas desagradáveis no intestino. Em outros casos, a pessoa pode apresentar a APLV ou Alergia à Proteína do Leite de Vaca, o que ativa o sistema imunológico e pode provocar inflamação. Mas isso não se aplica à maioria da população”.
Segundo o Dr. Danilo Almeida, generalizar que o leite causa inflamação do organismo ou outros malefícios em todos é um equívoco. “O leite pode ser inflamatório para alguns, mas, na verdade, para a maioria das pessoas, ele terá mais efeitos benéficos”, completa.
Além de ser uma excelente fonte de cálcio, proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais, o leite de vaca está presente em praticamente todos os guias alimentares nacionais e internacionais, assegura o médico. A American Heart Association (AHA), por exemplo, recomenda o consumo de até três porções de laticínios com baixo teor de gordura por dia.
“Alguns pacientes chegam ao consultório e comentam: ‘Ah, doutor, mas eu sinto diferença quando tiro o leite da dieta’. Se for esse o caso, é preciso investigar. Pode ser intolerância à lactose, alergia à proteína do leite ou até mesmo um desequilíbrio da microbiota intestinal. Nada que um bom diagnóstico não resolva”, relata o médico. Para quem apresenta sintomas após o consumo, a recomendação é sempre buscar orientação médica.
Para ajudar a esclarecer as principais dúvidas, o médico pós-graduado em Nutrologia Danilo Almeida lista alguns mitos e verdades sobre o leite de vaca e seu consumo. Confira!
Verdade. O leite contém cálcio em alta biodisponibilidade, o que significa que o corpo o absorve com eficiência. Além disso, fornece proteínas de alto valor biológico.
Verdade. Não há contraindicação generalizada para o consumo de leite por adultos. Exceto em casos de intolerância à lactose, alergia à proteína do leite ou hipersensibilidade ao alimento, ele pode fazer parte de uma dieta equilibrada.
Verdade. Por ser fonte de cálcio, fósforo e vitamina D (em versões enriquecidas), o leite contribui para a saúde dos ossos, especialmente em idosos e mulheres na menopausa.
Verdade. Hoje existem várias alternativas, como o leite zero lactose ou bebidas vegetais enriquecidas. Em alguns casos, o acompanhamento profissional permite reintroduzir o alimento com segurança.
Verdade. Não há comprovação científica de que o leite aumente a produção de muco em pessoas que não tenham alergia. Esse é um mito comum, especialmente entre quem evita a bebida durante resfriados.
Verdade. As proteínas e vitaminas do leite auxiliam na construção e no funcionamento das defesas do corpo, ajudando a combater infecções e a prevenir doenças. Vale lembrar que, para os recém-nascidos, a melhor opção sempre será o aleitamento materno.
Mito. Esse é um dos mitos mais difundidos. Não há evidência de que o leite seja inflamatório em pessoas saudáveis. O que pode causar inflamação é a hipersensibilidade individual — que precisa ser diagnosticada.
Mito. Os estudos não são conclusivos. Em alguns casos, o consumo excessivo de derivados pode influenciar desequilíbrios hormonais, mas isso não acontece com todas as pessoas, é preciso analisar cada caso.
Mito. No Brasil, o uso de hormônios para estimular a produção de leite em vacas é proibido por lei. O leite vendido passa por fiscalização rigorosa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mito. O leite pode ser incluído tranquilamente em dietas para perda de peso, inclusive como fonte de saciedade. Retirá-lo sem orientação pode até prejudicar o equilíbrio nutricional.
Mito. Não há comprovação científica de que o leite, especialmente com baixo teor de gordura, aumente esse risco.
Mito. O leite é fonte de fósforo e cálcio, nutrientes essenciais para a saúde óssea e renal, quando consumido com equilíbrio.
Por Paula de Paula
Fonte: Portal EdiCase
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