Suspensão europeia de carne goiana gera prejuízo mensal de 16,8 milhões de dólares

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A suspensão das importações de produtos de origem animal brasileiros pela União Europeia impõe um desafio econômico severo para Goiás. Segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o estado pode sofrer uma perda mensal de 16,8 milhões de dólares, valor que representa 8,1% das exportações goianas do setor. A medida impacta diretamente a cadeia da carne bovina, responsável por cerca de 90% das vendas enviadas ao bloco europeu.

A determinação, que entrou em vigor na quinta-feira (3), não está fundamentada em casos de contaminação ou produtos impróprios para o consumo humano. O entrave reside na falta de comprovação documental e falhas na rastreabilidade do uso de antimicrobianos durante o ciclo produtivo dos animais. A União Europeia exige registros rigorosos que comprovem o cumprimento das normas sanitárias desde o nascimento do gado até o abate.

Exigências sanitárias e o desafio da rastreabilidade

O sistema de rastreabilidade funciona como um prontuário detalhado de cada animal. A ausência de controles oficiais e de registros documentais completos impede que o Brasil ateste, conforme os padrões europeus, a conformidade no uso de substâncias medicamentosas. A gerente de Internacionalização da Fieg, Juliana Tormin, reforça que a carne brasileira não foi classificada como contaminada, mas sim como não certificada sob os novos critérios de controle.

A situação pode ser comparada a uma exigência escolar onde a apresentação de um histórico completo é obrigatória. Mesmo que o aluno seja saudável, a falta de documentos carimbados impede a matrícula. No caso da pecuária, a necessidade de organizar o fluxo de informações de cada animal torna-se o principal gargalo para a retomada das exportações para o mercado europeu.

Impacto financeiro e redirecionamento de mercado

O mercado da União Europeia é classificado como premium, oferecendo margens de lucro superiores devido à demanda por cortes nobres. Com a suspensão, os frigoríficos goianos precisam buscar alternativas em outros países, como China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Contudo, a transição para esses destinos pode resultar em uma redução significativa na rentabilidade, já que o valor agregado desses mercados costuma ser inferior ao europeu.

Dados da Fieg indicam que, em 2025, Goiás exportou 190 milhões de dólares em produtos de origem animal para o bloco. Apenas as carnes bovinas desossadas congeladas somaram 130,4 milhões de dólares. A interrupção desse fluxo interrompe uma trajetória de crescimento que vinha sendo observada desde 2023, afetando diretamente plantas frigoríficas estruturadas especificamente para atender a esse padrão de exigência, localizadas em municípios como Mozarlândia e Palmeiras de Goiás.

Dificuldades na adaptação do ciclo produtivo

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), publicou a Portaria SDA nº 1.617/2026, proibindo o uso de antimicrobianos como aditivos de desempenho. Entretanto, a adequação não é imediata. O ciclo da pecuária de corte é longo, podendo levar até 30 meses para que um animal cumpra todas as exigências desde o nascimento, o que torna a adaptação um processo gradual e complexo.

A Fieg defende que a solução exige uma atuação conjunta entre o setor produtivo e o governo. O apoio técnico e financeiro, especialmente para pequenos e médios produtores, é considerado fundamental para implementar os controles de rastreabilidade necessários. Enquanto isso, a Noruega, seguindo a tendência de precaução, também anunciou a suspensão das importações, aumentando a pressão sobre o setor exportador brasileiro. Para mais detalhes sobre as normas, consulte o portal oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária.

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