Proposta para reduzir jornada de trabalho avança e pode acabar com escala 6 por 1

PECs aprovadas na CCJ da Câmara propõem semana de até 36 horas e mais dias de descanso.

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Bruno Spada / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados deu um passo importante em uma mudança que pode impactar milhões de trabalhadores brasileiros. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade de propostas que reduzem a jornada de trabalho no país.

Na prática, as propostas podem acabar com a escala 6 por 1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um.

Agora, os textos seguem para análise em uma comissão especial antes de serem votados no plenário.

O que muda na jornada de trabalho

Atualmente, a legislação brasileira permite jornadas de até 44 horas semanais. As propostas aprovadas na CCJ sugerem mudanças significativas:

  • Redução gradual da jornada para 36 horas semanais
  • Possibilidade de semana com apenas quatro dias de trabalho
  • Mais dias de descanso ao trabalhador

A proposta principal é a PEC 221/19, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes, que prevê a redução ao longo de dez anos.

Já a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton, propõe uma jornada com quatro dias de trabalho por semana.

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Argumentos a favor

Durante o debate, parlamentares destacaram que a mudança pode trazer benefícios diretos para a população.

Entre os principais pontos defendidos estão:

  • Melhoria da saúde mental dos trabalhadores
  • Mais tempo para família e estudos
  • Redução do estresse
  • Possível aumento da produtividade

O relator da proposta, deputado Paulo Azi, afirmou que a mudança atende a um desejo da sociedade e pode corrigir desigualdades, principalmente entre trabalhadores de baixa renda.

Críticas e preocupações

Apesar do avanço, a proposta também enfrenta resistência dentro do Congresso.

Alguns parlamentares apontam possíveis impactos negativos, como:

  • Aumento no custo de produção
  • Risco de desemprego
  • Elevação de preços de produtos e serviços

O deputado Lucas Redecker alertou para a necessidade de medidas compensatórias, como redução de encargos para empresas.

Outros parlamentares também criticaram a proposta, afirmando que ela pode não beneficiar trabalhadores informais, que representam uma grande parcela da população.

A discussão ganhou força com movimentos sociais que defendem o fim da escala 6 por 1 e melhores condições de trabalho.

Hoje, mais de 30 milhões de brasileiros já trabalham em modelos diferentes, como a escala 5 por 2, o que reforça o debate sobre mudanças na legislação.

O que acontece agora

Com a aprovação na CCJ, as propostas seguem para uma comissão especial, onde serão analisadas com mais detalhes.

Se aprovadas, ainda precisarão passar por votação no plenário da Câmara e do Senado antes de entrar em vigor.

Entenda o impacto da jornada de trabalho

A jornada de trabalho define o limite de horas que um trabalhador pode exercer suas atividades ao longo da semana. Já a escala determina como esses dias são distribuídos entre trabalho e descanso.

Mudanças nesse modelo impactam diretamente a economia, a qualidade de vida e a organização das empresas, por isso o tema costuma gerar debates intensos.

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