O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, nesta quarta-feira (12), a assinatura de um decreto que estabelece as diretrizes para o funcionamento do mercado livre de energia no Brasil. A nova regulamentação permite que pequenos e médios consumidores tenham a liberdade de escolher seus próprios fornecedores de eletricidade, em um modelo que busca espelhar a dinâmica de livre concorrência já observada no setor de telefonia.
Esta mudança estrutural altera a forma como o serviço é contratado, permitindo que o consumidor final busque tarifas e condições mais vantajosas diretamente com empresas comercializadoras. A medida visa aumentar a competitividade e oferecer maior autonomia aos usuários, mantendo a estabilidade do sistema elétrico nacional.
Cronograma de transição para consumidores
A implementação do novo modelo ocorrerá de forma gradual, respeitando as diferentes categorias de consumo. Para os setores industrial e comercial, que operam em baixa tensão, a abertura do mercado está prevista para começar em novembro de 2027. Já para os demais consumidores, incluindo o segmento residencial, a possibilidade de escolha será liberada a partir de novembro de 2028.
É importante ressaltar que o decreto não promove alterações na infraestrutura de produção e transmissão de energia, que continuam sob o regime regulatório vigente. O objetivo é focar na comercialização, permitindo que a relação entre quem produz e quem consome seja mediada pela livre escolha de mercado.
Garantia de fornecimento e papel da Aneel
Para assegurar que nenhum consumidor fique desassistido durante a transição, o texto legal institui a figura do Supridor de Última Instância (SUI). Este agente será responsável por garantir o fornecimento de energia caso o fornecedor escolhido pelo cliente interrompa a prestação do serviço. Até o final de 2030, essa função será desempenhada pelas distribuidoras de energia, com a possibilidade de ampliação para outros agentes após esse período.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) assume o papel central na organização dessa transição entre o ambiente regulado e o ambiente de contratação livre. Caberá ao órgão regulador estabelecer as normas de proteção ao consumidor e garantir que as informações sobre as novas opções de contratação sejam claras e acessíveis a todos os cidadãos, conforme detalhado pela Agência Brasil.
Avanços na agenda de energia sustentável
O pacote de decretos assinados pelo governo federal também contempla outras frentes estratégicas para a transição energética do país. Entre elas, destaca-se o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV), que define metas para a redução de 10% das emissões do setor aéreo em um período de dez anos, entre 2027 e 2037.
Além disso, o governo oficializou o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e o Programa de Desenvolvimento do Hidrogênio de Baixa Emissão de Carbono (PHBC). Essas iniciativas buscam criar um sistema robusto de certificação, posicionando o Brasil como um player competitivo no mercado global de energias renováveis e combustíveis de baixo impacto ambiental.
Marco regulatório para captura de carbono
A descarbonização da indústria nacional também recebeu um impulso com a definição do marco regulatório para a captura e o armazenamento de carbono. A estratégia prevê que o Ministério das Minas e Energia (MME) lidere a criação de um plano nacional de infraestrutura para orientar a instalação de áreas de transporte e armazenamento geológico de carbono.
Este plano será submetido a revisões bienais, garantindo que a tecnologia e as práticas de armazenamento acompanhem a evolução das necessidades industriais e ambientais. Com essas medidas, o país busca consolidar uma infraestrutura capaz de sustentar o crescimento econômico alinhado às metas globais de sustentabilidade.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br




