Marin dividiu sua trajetória entre política e futebol e foi poderoso nos dois campos


José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), morreu aos 93 anos na madrugada deste domingo, em São Paulo. A CBF lamentou a morte do ex-dirigente, que nos últimos anos viveu de forma reservada, mas deixou uma marca profunda tanto na política paulista quanto no futebol nacional, ocupando cargos importantes e se envolvendo em polêmicas que acompanharam sua trajetória.

Marin iniciou sua carreira política na década de 1960, eleito vereador pelo Partido de Representação Popular (PRP). Durante o regime militar, filiou-se à Arena, partido alinhado ao governo da época, e alcançou a presidência da Câmara Municipal de São Paulo em 1969. Nos anos 1970, foi deputado estadual e, em 1978, vice-governador do estado, assumindo o cargo de governador por cerca de dez meses entre 1982 e 1983.

Sua gestão foi marcada por controvérsias, incluindo reprovação das contas públicas e suspeitas envolvendo empréstimos da Caixa Econômica Estadual. Além disso, sua proximidade política com Paulo Maluf gerou críticas, e ele chegou a ser apelidado de “irmão siamês” do então governador.

Paralelamente à carreira política, Marin manteve uma forte ligação com o esporte, herdada do pai, Joaquín Marin y Umañes, conhecido boxeador apelidado de Jack, o Terrible. Marin também foi atleta amador, tendo atuado como ponta-direita nos aspirantes do São Paulo FC e em clubes menores como São Bento de Marília e Jabaquara.

Após concluir o curso de Direito na USP, decidiu se dedicar à política, mas voltou ao futebol em cargos administrativos. Entre 1982 e 1988, presidiu a Federação Paulista de Futebol e comandou a delegação brasileira na Copa do Mundo de 1986, no México.

Sua influência no futebol cresceu ainda mais ao assumir a vice-presidência da CBF e, em 2012, a presidência da entidade, após a renúncia de Ricardo Teixeira. No comando da Confederação, Marin apostou em nomes conhecidos para a seleção brasileira, como Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira, mantendo um perfil conservador e nacionalista na gestão.

Sua administração, porém, foi profundamente abalada pelo escândalo Fifagate: em 2015, foi preso pelo FBI na Suíça, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e recebimento de propinas ligadas a contratos de eventos esportivos. Marin foi extraditado para os Estados Unidos, condenado à prisão e, em 2020, retornou ao Brasil para cumprir prisão domiciliar por problemas de saúde agravados pela pandemia.

Durante a detenção domiciliar, Marin morou em um apartamento na Trump Tower, em Nova York, onde manteve uma rotina disciplinada, frequentando academia e realizando atividades culturais e sociais. Para arcar com os custos da defesa e da prisão, vendeu bens de alto valor, incluindo uma mansão no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Carlo Ancelotti pede que torcida confie nos 26 convocados para a Copa

Após anunciar a relação de 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa de 2026,…

3 horas ago

Detran amplia operações com internet via satélite

O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) iniciou, nesta segunda-feira (18/05), a entrega de…

3 horas ago

Anvisa suspende corticoide e remédio para colesterol; veja quais lotes

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu nesta segunda-feira (18) a comercialização, distribuição e…

3 horas ago

Pacto pela Vida promove Cinema ao Luar para conscientizar sobre segurança no trânsito em Goianésia

A Jalles reafirma seu compromisso com a segurança e o bem-estar das comunidades locais ao…

4 horas ago

Ancelotti convoca Seleção Brasileira para Copa do Mundo de 2026

O técnico Carlo Ancelotti anunciou nesta segunda-feira (18) a lista dos 26 jogadores convocados para…

4 horas ago

Brasileirão: Flamengo empata com Athletico-PR e “ajuda” Palmeiras

A meta do Flamengo era iniciar a semana do confronto diante do Palmeiras, líder do…

15 horas ago

This website uses cookies.