Ibovespa encerra pela 1ª vez aos 144 mil, com recorde em 3 das últimas 4 sessões


Pela terceira vez nas últimas quatro sessões, o Ibovespa testou a marca dos 144 mil pontos na máxima do dia, voltando a renovar pico histórico. E nesta terça-feira, 16, pela primeira vez, também conseguiu sustentar tal patamar em fechamento, estabelecendo novo nível recorde de encerramento pela segunda sessão consecutiva – e pela terceira vez também nas últimas quatro sessões. No melhor momento, foi nesta terça aos 144.584,10 pontos durante a sessão e, ao fim, marcava alta de 0,36%, aos 144.061,74 pontos, saindo de mínima na abertura aos 143.546,58 pontos.

O giro financeiro desta terça-feira subiu para R$ 21,5 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe 1,26% e, no mês, avança 1,87%, colocando o ganho do ano a 19,77%.

Entre as blue chips, o dia foi majoritariamente negativo para as ações de grandes bancos, mas misto no fechamento, o que deu fôlego para o Ibovespa conservar a marca de 144 mil também no encerramento. BB ON subiu 0,55% – na segunda-feira, o papel havia destoado do setor e fechado em baixa – e Santander Unit virou no fim, em alta de 0,24%. Nesta terça-feira, as perdas no segmento foram amenizadas no fechamento a 0,26% (Itaú PN) e 0,23% (Bradesco PN), com a ON de Bradesco sem variação ao fim da sessão.

As principais ações de commodities também tiveram moderada flutuação no encerramento, em terreno positivo para Vale (ON +0,35%) e Petrobras PN (+0,25%), mas negativo ao término para a ON (-0,18%) da estatal.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, Marfrig (+5,60%), BRF (+5,28%) e Lojas Renner (+4,19%). No lado oposto, Hapvida (-3,03%), Natura (-2,13%) e Telefônica Brasil (-1,30%).

No fim da tarde, a notícia de que o ex-presidente da República Jair Bolsonaro passou mal e precisou ser levado às pressas ao hospital, em Brasília, em meio a uma crise de soluços, vômito e pressão baixa, não passou despercebida. A leitura foi de que a fragilização física do ex-mandatário reforça o “trade” Tarcísio de Freitas, o governador de São Paulo, como opção preferencial e gradualmente mais fortalecida para representar a direita na eleição presidencial de 2026 – e não alguém da família Bolsonaro, com um grau de rejeição considerado hoje maior.

Também no noticiário político, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), disse nesta terça que o texto alternativo ao que tramita na Câmara dos Deputados sobre a proposta de isenção do Imposto de Renda (IR) a quem ganha até R$ 5 mil por mês será pautado, na CAE, na próxima terça-feira, 23. “Vamos aproximar o texto do IR com o defendido pelo governo”, afirmou.

Por sua vez, o deputado Arthur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara e com quem Calheiros tem divergido, disse notar “momento preocupante”, de “influência política no plenário tanto na Câmara quanto no Senado”, acrescentou Lira, ao tratar da votação do projeto, na Câmara, que amplia a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. “A gente tem tempo. O processo tem que acontecer ainda neste ano. É unanimidade a questão da justiça tributária para quem ganha até R$ 5 mil.”

O projeto alternativo da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil, a ser apresentado pelo senador Calheiros, não passou pelo crivo da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e do Ministério da Fazenda. Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a apreciação do texto é uma iniciativa própria de Renan, que visa o cenário eleitoral de Alagoas, reportam de Brasília os jornalistas Gabriel de Sousa e Naomi Matsui.

Ao Broadcast Político, o gabinete de Lira disse que ele não vai entrar em “guerra política regional” por causa do projeto de isenção do IR. A equipe do deputado afirmou que o texto relatado por ele é um “consenso em termos de justiça tributária”, mas tem dificuldade de tramitação devido ao contexto político atual.

Apesar das incertezas pendentes sobre renúncias fiscais e o cenário para os gastos públicos, a expectativa de juros mais baixos a partir dos Estados Unidos, a começar pela reunião da quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), mantém a disposição favorável dos investidores com relação a ativos de risco, o que levou o Ibovespa a “beliscar” nova máxima histórica na sessão desta terça, observa Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos.

“Além do Fed, amanhã, há expectativa também quanto a se o Copom poderá vir a dar algum sinal sobre juros mais baixos também no Brasil. Já há uma rotação nos papéis na B3, como vimos hoje nos bancos, em direção aos setores de varejo e consumo, que começam a despontar com o Ibovespa em renovação de máximas históricas”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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