Haddad diz que Selic é ‘restritiva demais’ e elogia gestão Ilan no BC


O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, repetiu, nesta terça-feira, 21, que considera o nível atual da taxa Selic, de 15% ao ano, “restritivo demais” para as condições atuais. Ele ponderou que cabe ao Banco Central conduzir a política monetária, e afirmou que as falas sobre os juros são apenas “opiniões.”

“É uma opinião de um cidadão como outro qualquer. Para o Banco Central, existem nove diretores que decidem isso, todo o resto é cidadão”, disse Haddad, em uma entrevista à GloboNews. “Se eu estivesse lá no Banco Central, eu ia ter essa opinião de que a taxa de juros está restritiva demais para as condições atuais.”

Haddad ponderou que, segundo um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI), o BC brasileiro é historicamente um dos mais hawkish do mundo.

Perguntado sobre a atuação do BC sob a presidência de Gabriel Galípolo – que foi indicado ao cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas promoveu um forte aumento dos juros -, o ministro disse considerar que é cedo para avaliar, já que a administração tem menos de um ano e começou com “problemas graves a administrar.”

O ministro, no entanto, elogiou a gestão do ex-presidente do BC Ilan Goldfajn (2016-2019), que foi indicado ao cargo durante o governo Michel Temer (2016-2018). “Quando o Ilan foi presidente, nós tivemos um período em que o BC foi muito sensível às teses que me são caras, por assim dizer”, afirmou Haddad.

Ele negou que Ilan tenha tido ajuda da política fiscal, com a criação do teto de gastos, para manter os juros baixos. Segundo o ministro, o déficit primário permaneceu na casa dos 2% do PIB, e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda aprovou a chamada “Tese do Século”, com impacto nas contas públicas. “E o Ilan soube tocar”, disse Haddad.

O ministro disse ainda que a inflação tem se comportado cada vez melhor e está em tendência de queda, lembrando que as projeções do mercado já indicam um IPCA abaixo de 4% no fim de 2027. Ele lembrou que o presidente Lula também tem a opinião de que os juros estão excessivamente restritivos.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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