Um médico de 74 anos, residente em Goiânia, foi vítima de um esquema criminoso que resultou em um prejuízo superior a 200 mil reais. A fraude, conhecida como golpe da falsa central bancária, mobilizou uma operação conjunta entre as polícias civis de Goiás e do Espírito Santo, culminando na prisão de três suspeitos na Grande Vitória nesta quinta-feira (7).
A investigação teve início após a vítima ser contatada por criminosos que se passavam por gerentes de sua instituição financeira. Sob o pretexto de cancelar movimentações suspeitas, os golpistas induziram o profissional a fornecer dados sigilosos e códigos de acesso, permitindo a realização de diversas transferências bancárias não autorizadas.
Operação policial e desarticulação do grupo criminoso
As prisões ocorreram nos municípios de Viana e Vila Velha, no Espírito Santo. Os detidos foram identificados como R. C. A., de 23 anos, M. A. G., de 24, e R. M. C., de 42. A ação foi coordenada pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC) do Espírito Santo, em apoio às autoridades goianas.
Segundo o delegado Ícaro Olimpio, adjunto da DRCC, o grupo possuía uma estrutura organizada e atuava de forma interestadual. Enquanto alguns membros focavam na engenharia social para enganar as vítimas, outros atuavam como recrutadores, buscando pessoas dispostas a ceder contas bancárias para o recebimento dos valores ilícitos em troca de comissões.
Modus operandi e a função dos recrutadores
O esquema funcionava através da utilização de contas de terceiros, as chamadas contas laranjas, para ocultar o rastro do dinheiro desviado. R. C. A., por exemplo, utilizou sua própria conta para receber parte dos valores subtraídos do médico. Durante o interrogatório, ela confessou ter recebido cerca de 5 mil reais pela participação no crime.
M. A. G. e R. M. C., presos em Itaparica, atuavam com maior expertise técnica. De acordo com as autoridades, eles viajavam entre estados para recrutar novos colaboradores e aprimorar as técnicas de fraude. R., inclusive, possuía 11 passagens anteriores por diversos crimes, incluindo estelionato.
Impactos legais e alertas de segurança
As investigações seguem em curso para identificar outros integrantes da organização criminosa, que, segundo depoimentos, possui ramificações em estados como o Rio de Janeiro. Os três suspeitos foram autuados por estelionato, fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais, permanecendo à disposição da Justiça após audiência de custódia.
A Polícia Civil reforça o alerta para que a população nunca forneça senhas, códigos de confirmação ou clique em links enviados por supostos funcionários de bancos. Além disso, as autoridades destacam que ceder contas bancárias para receber dinheiro de origem criminosa configura crime de estelionato, sujeitando o titular a severas penalidades legais.
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