Um gesto de compaixão em meio à devastação ambiental ganhou destaque nas redes sociais após um brigadista ser filmado oferecendo água a um lagarto que fugia de um incêndio florestal. O caso ocorreu na região do Parque Estadual de Terra Ronca, localizado em São Domingos, Goiás. O registro, que viralizou rapidamente, mostra o animal aceitando a hidratação prontamente, um comportamento que sensibilizou internautas de diversas partes do mundo.
A gravação foi compartilhada pelo brigadista civil Rodrigo Vieira no último sábado. Segundo o relato do profissional, o réptil foi retirado diretamente da área de risco onde as chamas avançavam. A iniciativa de oferecer água foi uma medida de suporte vital antes que o animal fosse devolvido a uma área segura e livre do fogo, garantindo sua sobrevivência após o estresse do resgate.
O incêndio que atinge o Parque Estadual de Terra Ronca é monitorado de perto por especialistas. De acordo com informações do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, as chamas já consumiram mais de 10 mil hectares de vegetação nativa. O fogo teve início no dia 10 de agosto e, em menos de 48 horas, já havia dizimado cerca de 8 mil hectares, representando uma parcela significativa da área total de preservação, que soma aproximadamente 57 mil hectares.
O combate ao fogo conta com o esforço conjunto de brigadistas civis e militares que enfrentam condições extremas de calor e fumaça. A angústia vivida pelos profissionais durante o trabalho é acentuada pelo impacto direto na fauna local. O caso do lagarto tornou-se um símbolo da luta pela preservação da biodiversidade diante de eventos climáticos e criminosos que ameaçam as unidades de conservação do estado.
A veterinária Luana Borboleta identificou o animal como um lagarto-preguiça, espécie também conhecida popularmente como papa-vento ou camaleão do cerrado. O réptil possui uma capacidade notável de camuflagem, o que o torna um mestre em se esconder entre galhos e folhagens, muitas vezes passando despercebido por observadores humanos. Essa característica, segundo a especialista, explica por que o animal permitiu a aproximação dos brigadistas.
A espécie não consta em listas de animais ameaçados de extinção ou em situação de vulnerabilidade. O comportamento dócil observado no vídeo é comum, já que o animal confia em seu mecanismo de defesa natural para se sentir invisível no ambiente. A investigação sobre a origem dos focos de incêndio segue sob responsabilidade da Polícia Civil, que busca determinar as causas que levaram à destruição de quase 20% da área total do parque.
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