O mercado financeiro brasileiro teve um dia de forte turbulência nesta quarta-feira (3). A Bolsa de Valores brasileira fechou em queda acentuada, enquanto o dólar registrou forte valorização diante do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das preocupações com novas tarifas comerciais dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O Ibovespa, principal índice da B3, encerrou o pregão com recuo de 2,22%, aos 170.330 pontos. Já o dólar comercial avançou 1,14% e fechou cotado a R$ 5,067.
O movimento acompanhou uma onda global de cautela dos investidores, que buscaram ativos considerados mais seguros diante do cenário internacional mais incerto.
Após encerrar a sessão anterior em alta, a Bolsa brasileira devolveu os ganhos e registrou sua pior performance diária desde 7 de maio.
Durante o pregão, o índice chegou a atingir a mínima de 170.007 pontos, mas conseguiu encerrar o dia acima do patamar psicológico dos 170 mil pontos.
Com o resultado, o Ibovespa alcançou seu menor nível desde janeiro e ampliou as perdas acumuladas na semana para 1,99%.
Apesar da queda recente, o índice ainda apresenta valorização de 5,71% em 2026.
O desempenho negativo foi influenciado principalmente pelo movimento de venda observado nos mercados globais, especialmente após a escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã.
Além do cenário geopolítico, investidores acompanharam novos desdobramentos na política comercial dos Estados Unidos.
O governo norte-americano avançou em propostas de ampliação de tarifas sobre determinados produtos importados, incluindo itens brasileiros.
A medida ocorre após recomendações de taxação sobre parte das exportações do Brasil e amplia as preocupações do mercado em relação aos impactos sobre o comércio internacional.
Analistas avaliam que o aumento das barreiras comerciais pode reduzir o fluxo de investimentos para mercados emergentes, afetando países como o Brasil.
No mercado cambial, a busca por proteção impulsionou a valorização da moeda americana.
O dólar chegou a ser negociado acima de R$ 5,09 ao longo da tarde e encerrou a sessão no maior valor registrado desde o início de abril.
A saída de recursos da Bolsa brasileira e o fortalecimento global da moeda norte-americana contribuíram para o avanço da cotação.
O real figurou entre as moedas emergentes com pior desempenho no dia, refletindo a maior cautela dos investidores.
Apesar da alta desta quarta-feira, a moeda americana ainda acumula queda de 7,69% frente ao real ao longo de 2026.
O mercado internacional de petróleo também permaneceu pressionado.
Os investidores seguem atentos aos riscos envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte global de petróleo.
Com o aumento das incertezas na região, os preços da commodity registraram nova valorização.
O barril do petróleo Brent, referência para o mercado internacional e para a Petrobras, avançou 1,89%, encerrando o dia cotado a US$ 97,81.
Já o petróleo WTI, negociado nos Estados Unidos, subiu 2,4%, fechando a US$ 96,02 por barril.
Especialistas avaliam que os próximos dias continuarão sendo marcados por elevada volatilidade nos mercados financeiros.
A evolução do conflito no Oriente Médio, as decisões comerciais dos Estados Unidos e os indicadores econômicos globais devem seguir influenciando o comportamento da Bolsa, do dólar e dos preços das commodities.
Investidores também acompanham possíveis impactos dessas movimentações sobre a inflação, os juros e o crescimento econômico em diferentes países.
Fonte: Agência Brasil
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