Os empregados da Caixa Econômica Federal decidiram dar continuidade à greve nacional iniciada na quinta-feira (10), após rejeitarem a proposta final apresentada pela instituição bancária. A paralisação segue por tempo indeterminado, enquanto as entidades sindicais buscam retomar as negociações para um novo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). O impasse reflete a insatisfação da categoria com as condições oferecidas, especialmente no que tange aos benefícios de assistência à saúde.
Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a rejeição foi expressiva, com 68% dos trabalhadores votando contra o texto em assembleia encerrada às 23h da última sexta-feira (11). O movimento, que teve início após a negativa de uma proposta anterior, conta com adesão significativa em diversas regiões do país, onde agências amanheceram com as portas fechadas, embora os caixas eletrônicos tenham permanecido operacionais para serviços básicos.
O ponto central do conflito reside nas alterações propostas para o Saúde Caixa, o plano de assistência médica dos funcionários. A instituição sugeriu mudanças profundas no modelo de custeio e nas regras de coparticipação, o que gerou forte resistência entre a base. Entre as medidas contestadas estavam a implementação de contribuições escalonadas conforme a faixa etária, a cobrança por dependentes e o aumento do teto anual de coparticipação por grupo familiar, além da introdução de um piso por beneficiário.
A proposta também previa a cobrança de 13 mensalidades e o aumento no valor de consultas em prontos-socorros, embora oferecesse isenção para atendimentos via telemedicina. A exigência de um recadastramento anual obrigatório e as restrições para o retorno ao plano após o cancelamento foram outros fatores que contribuíram para a rejeição massiva, conforme dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que indicou que mais de 90% das bases sindicais haviam negado o texto anteriormente.
Antes mesmo da conclusão da votação, a Caixa Econômica Federal havia classificado a oferta como definitiva, sinalizando a possibilidade de recorrer à Justiça do Trabalho caso o resultado fosse desfavorável. O banco estuda agora o ingresso de um dissídio coletivo, um instrumento jurídico utilizado para que o tribunal estabeleça as condições de trabalho e solucione o impasse entre a instituição e seus empregados. Apesar do cenário de confronto, a direção do banco reiterou que mantém o diálogo aberto com as representações sindicais.
Durante o período de paralisação, a orientação da Caixa é que os clientes priorizem os canais digitais e remotos para a realização de transações financeiras. O aplicativo Caixa, o Internet Banking, o Caixa Tem e o WhatsApp Caixa são as ferramentas recomendadas para evitar deslocamentos desnecessários. Além disso, o atendimento telefônico continua disponível por meio do Alô Caixa, nos números 4004-0104 para capitais e 0800-104-0104 para as demais localidades.
Enquanto a situação na Caixa permanece tensa, o cenário no Banco do Brasil apresenta contornos distintos. A maioria dos sindicatos da categoria aprovou a proposta apresentada pelo banco, permitindo o retorno às atividades normais na sexta-feira (11). Contudo, a paralisação ainda persiste em 18 bases sindicais específicas, onde os trabalhadores optaram por manter o movimento grevista até que novas definições sejam alcançadas.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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