Luto e memória marcam os 28 anos da tragédia que matou 50 romeiros de Anápolis nesta terça-feira

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A memória coletiva de Anápolis é marcada por um dos episódios mais dolorosos de sua história. Nesta terça-feira (08), completa-se 28 anos da tragédia que vitimou mais de 50 romeiros, um evento que ainda ecoa na comunidade local e que será relembrado durante a Santa Missa dos Romeiros. O acidente, ocorrido na madrugada de 08 de setembro de 1998, transformou o retorno de uma peregrinação religiosa em um cenário de devastação na Rodovia Anhanguera.

Os fiéis retornavam ao estado de Goiás após uma excursão ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. O grupo viajava em dois ônibus que, ao passarem pelo município de Araras, depararam-se com as consequências de um acidente prévio na pista. Um caminhão, carregado com 32 mil litros de combustível, havia tombado e iniciado um incêndio de grandes proporções, criando uma densa nuvem de fumaça que reduziu drasticamente a visibilidade dos motoristas.

O impacto na Rodovia Anhanguera e a resposta ao desastre

Sem tempo hábil para manobras de desvio ou frenagem, os dois coletivos colidiram contra o caminhão em chamas. A tragédia foi imediata e avassaladora, resultando na morte de 53 pessoas no local, incluindo os condutores dos veículos. Entre as vítimas, havia famílias inteiras, crianças e adolescentes que buscavam renovar sua fé. Outros passageiros, gravemente feridos, foram socorridos, mas o saldo de vítimas fatais ainda aumentaria após o falecimento de mais duas pessoas em unidades hospitalares.

A complexidade do resgate e da identificação dos corpos exigiu uma operação logística e científica sem precedentes. Médicos, legistas e dentistas trabalharam por cerca de dois meses para confirmar as identidades das vítimas, utilizando recursos como análise de DNA, arcadas dentárias e objetos pessoais. A gravidade da carbonização tornou o processo um desafio técnico, enquanto a cidade de Anápolis vivia um período de luto profundo, com o apoio da Força Aérea Brasileira no transporte dos corpos.

Legado e preservação da memória na Praça dos Romeiros

A importância de manter viva a história das vítimas levou à criação de um memorial permanente. A antiga Praça Gonçalves da Cruz, situada entre os bairros Jardim Alexandrina e Maracanã — onde residia a maioria dos romeiros —, foi renomeada em 2000 como Praça dos Romeiros. O local abriga um monumento que serve como ponto de reflexão para os moradores e visitantes, simbolizando a união da comunidade diante da dor e a preservação da identidade local.

A celebração religiosa, organizada pela Paróquia São Pedro e São Paulo, ocorre às 19h30 na própria praça. O evento não apenas honra a memória daqueles que perderam a vida, mas também reforça o papel do espaço público como um local de acolhimento e história. A persistência dessa homenagem, quase três décadas depois, demonstra como o município de Anápolis integra o luto à sua trajetória, mantendo o respeito pelas famílias afetadas pelo desastre de 1998.

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