Yago Dora trocou futebol pelo surfe e dispensou o pai-treinador até virar número 1


Líder do ranking do Circuito Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglês), Yago Dora trocou o futebol pelo surfe e se viu obrigado a dispensar o pai até alcançar o auge de sua carreira. O curitibano de 29 anos disputa nesta semana o WSL Finals e tem a chance de se tornar o quinto surfista brasileiro campeão mundial.

De promessa a protagonista, ele é o favorito a colocar o surfe brasileiro mais uma vez no topo do mundo, repetindo o que fizeram Gabriel Medina (três vezes), Filipe Toledo (duas), Adriano de Souza, o Mineirinho, e Italo Ferreira, este que também está na disputa.

Evento que reúne os cinco melhores surfistas do mundo, o WSL Finals é definido em apenas um dia e a janela da competição é entre 27 de agosto e 4 de setembro. Cloudbreak, na ilha de Tavarua, em Fiji, palco da disputa, reserva uma das ondas mais perfeitas do mundo, com tubos potentes e desafiadores que agradam Dora.

“É uma onda com a qual me identifico muito. Tenho uma chance muito boa de conseguir meu primeiro título”, diz o surfista em entrevista ao Estadão, já em Fiji, dias antes do evento. “Estou bem focado. Treinei bastante fora da água também, o físico, o mental, que é um trabalho que tenho feito bastante também.”

Dora usa a lycra com o número 9 por ser fã de Ronaldo Fenômeno e teve o desejo de ser jogador de futebol. Mudou de ideia ainda jovem e trocou a bola pela prancha aos 11 anos. Era inevitável: o pai, Leandro Dora, o ‘Grilo’, foi surfista, é técnico e incentivou o filho a enveredar pelo mesmo caminho.

O curitibano criado em Florianópolis conseguiu seu primeiro patrocínio aos 15 anos e aos 21, em 2017, chegou à elite do surfe mundial, convidado para a etapa de Saquarema, no Rio. Destacou-se ao eliminar Gabriel Medina, John John Florence e Mick Fanning e se tornou a sensação daquela etapa.

Os anos seguintes, porém, foram de seguidas frustrações. Considerado umas das principais promessas do surfe, ele encontrou dificuldade em obter resultados e se consolidar entre os melhores.

Bateu duas vezes na trave, em 2024 e 2023, ao ficar perto de conseguir uma vaga no Finals. Foi um processo longo e doloroso, ele conta, ter de encarar derrotas e fazer escolhas que mudariam seu destino.

Uma das decisões que elevaram seu nível no mar e o fizeram deslanchar foi o rompimento com o pai. No início desde ano, Dora demitiu Grilo, então seu técnico desde o início da carreira.

“Sou uma pessoa bem generosa, que não gosta de incomodar os outros, e comecei a me enxergar me colocando muitas vezes em segundo lugar para não desfazer a vontade dos outros, para não deixar um clima ruim. Sinto que fiquei acomodado e me colocando em segundo lugar assim na minha vida”, reflete.

Dora diz que o rompimento representou um baque, mas foi necessário para ter controle sobre seu futuro e as próprias decisões, o que o ajudou a ter melhores resultados e virar líder do ranking. Ele hoje é treinado por Leandro da Silva.

“Tem um processo até acostumar com a nova posição, de termos uma relação apenas de pai e filho, não mais de técnico e atleta. Até hoje a gente está aprendendo a viver esse novo formato e as coisas estão indo bem.”

Com a lycra amarela, chega ao WSL Finals em Fiji com a vantagem de precisar de apenas uma vitória para se tornar campeão mundial. Caso perca, ainda tem direito a uma melhor de três, privilégio exclusivo do número 1 do ranking.

“Desde antes da etapa do Taiti, desde quando garanti a minha vaga depois de fazer a final lá em B-Bay, (na África do Sul), fiquei com a mente bem focada assim nas finais”, conta.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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