veja como PCC pretendia matar promotor

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O promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi seguido e monitorado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) depois de fechar o cerco contra um aliado da facção em Campinas, no interior de São Paulo. Criminosos levantaram informações sobre a rotina do promotor e descobriram até a academia que ele frequenta. Segundo o Ministério Público, essa foi a primeira etapa de um plano para executar Amauri, desmantelado nesta sexta-feira, 29, com a prisão dos suspeitos.

O plano foi descoberto a partir de uma denúncia anônima ao Ministério Público de São Paulo. O informante ligou para o MP na tarde da última quarta-feira, 27, e descreveu em detalhes o que a facção estava planejando.

Segundo o relato, o carro que seria usado no crime, uma Hilux SW4 blindada, de cor branco pérola, estava sendo preparado em Goiás para o atentado, com a instalação de uma placa fria e a retirada do banco para acoplar uma metralhadora calibre .50, armamento de guerra.

A .50 pode perfurar blindagens e derrubar aeronaves. Sua precisão é magnífica. Uma rajada despeja no alvo até dez tiros por segundo.

O denunciante narrou ainda que a contratação dos matadores de aluguel estava adiantada. Um pistoleiro viria do Rio de Janeiro, de acordo com a denúncia anônima. O plano teria sido financiado com a venda de um Porsche avaliado em quase R$ 1 milhão.

O braço operacional do plano seria José Ricardo Ramos, dono da JR Ramos Transportes, que teria recebido a promessa de “incrementar sua aliança” com líderes do PCC. Ramos tem passagens por homicídio qualificado, receptação e roubo majorado.

O promotor entrou na mira do PCC depois de comandar a Operação Linha Vermelha, deflagrada em fevereiro, que fez buscas na casa de Maurício Silveira Zambaldi, dono da concessionária Dragão Motos, suspeita de lavar dinheiro para a facção.

Quando os policiais e promotores do Gaeco chegaram na casa do empresário, ele quebrou o celular e o arremessou pela janela. Os danos causados inviabilizaram a extração de dados do aparelho.

Segundo a denúncia, Zambaldi ficou desmoralizado no meio criminoso depois da operação e foi cobrado por Sérgio Luiz de Freitas Filho, o “Mijão”, um dos membros da Sintonia Final da Rua do PCC, a dar uma “resposta” para recuperar prestígio. “Mijão” está foragido na Bolívia.

Com o cerco do Ministério Público, o empresário teria sido forçado a se desfazer de imóveis, o que causou prejuízo aos seus negócios.

O informante relatou ainda que os criminosos estariam planejando executar um comandante da Polícia Militar, que até o momento não foi identificado.

O Gaeco agiu rápido para checar as informações e concluiu que a denúncia era de “extrema confiabilidade e plausibilidade”. “O informante tem conhecimento profundo das situações narradas”, afirmou o MP ao pedir a prisão de Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos.

Os investigadores confirmaram que Ramos registrou, no dia 21 de julho, a propriedade de um Porsche modelo 911 Carrera, transferido de um das concessionárias de Zambaldi, a M S Zambaldi Motos Eireli. O carro foi vendido dez dias depois.

O Ministério Público também levantou os trajetos de todos os carros registrados em nome de Ramos e descobriu que nos últimos dias ele esteve em Goiás, onde a Hilux estaria sendo equipada para o atentado, e no Rio de Janeiro, onde os executores teriam sido contratados.

Além disso, os promotores cruzaram dados de transações imobiliárias e confirmaram que Zambaldi transferiu dois imóveis para Ronaldo Alexandre Vieira, ligado à Avantex Empreendimentos e Participações Ltda, empresa que tem como sócio Sérgio Luís de Freitas Neto, filho de “Mijão”.

A verossimilhança do relato levou o MP a pedir autorização da Justiça para prender Ramos e Zambaldi. O Ministério Público afirma na representação que eles estavam na “iminência” do atentado.

O juiz Caio Ventosa Chaves, da 4.ª Vara Criminal de Campinas, que determinou as prisões, cumpridas nesta sexta, chamou o plano de “macabro”.

COM A PALAVRA, AS DEFESAS

Até a publicação deste texto, o Estadão buscou contato com as defesas, mas sem sucesso. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com; fausto.macedo@estadao.com).



Por: Estadão Conteúdo

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