Toffoli anula todas as provas e processos contra Vaccari na lava jato


O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta sexta-feira, 15, todas as provas e processos contra o ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na Operação Lava Jato.

Toffoli reconheceu que houve irregularidades na Operação Pixuleco, desdobramento da Lava Jato que desencadeou diversas fases da investigação.

O ministro atendeu a um pedido da defesa do ex-tesoureiro e estendeu a Vaccari uma decisão que já havia beneficiado o advogado Guilherme de Salles Gonçalves. Os dois trabalharam juntos em campanhas do PT.

Em sua decisão, Toffoli afirma que houve “conluio entre o ex-juiz Sérgio Moro e integrantes do Ministério Público a partir de circunstância objetiva envolvendo o prévio acerto entre acusação e magistrado para deflagração de operações policiais”.

O criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que defendeu Vaccari em várias ações da Lava Jato, disse que a decisão de Toffoli reconhece que houve “uma perseguição com viés político” contra o ex-tesoureiro.

Toffoli vem emitindo decisões em série favor de réus – inclusive delatores – da Lava Jato para anular provas e processos criminais.

As liminares beneficiaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-ministro Antônio Palocci, o doleiro Alberto Youssef, os empresários Marcelo Odebrecht, Raul Schmidt Felippe Júnior e Léo Pinheiro, réus confessos, o ex-governador paranaense Beto Richa (PSDB), entre outros, e vêm sendo referendadas na Segunda Turma do STF.

Essas decisões monocráticas têm sido apoiadas em uma justificativa comum: a existência de um suposto “conluio” entre o ex-juiz Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa de Curitiba que, na avaliação de Dias Toffoli, teria prejudicado o direito de defesa dos réus.

A derrubada dos processos foi acelerada com a anulação das provas do acordo de leniência da Odebrecht, em setembro de 2023, o que gerou um efeito cascata que atingiu condenações e até mesmo um acordo de delação.

Com base nas decisões do ministro, processos têm sido arquivados nas instâncias inferiores. Isso porque inúmeras ações derivadas da Lava Jato usaram provas compartilhadas pela Odebrecht. Uma ação envolvendo executivos da Braskem por supostas fraudes de R$ 1,1 bilhão foi trancada. Os acordos de colaboração premiada e de não persecução penal de Jorge Luiz Brusa também foram anulados, o que vai gerar a devolução de R$ 25 milhões.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Cruzeiro mostra poder de decisão para superar Boca na Libertadores

Em uma partida complicada e muito disputada fisicamente, o Cruzeiro mostrou poder de decisão para…

55 minutos ago

SP confirma segundo caso importado de sarampo

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo confirmou nesta terça-feira (28) o segundo caso importado…

1 hora ago

GovTech tem novo edital para aprimorar a fiscalização agrícola

A Secretaria da Economia lançou, nesta terça-feira (28/4), a segunda edição do Programa GovTech, com…

5 horas ago

Morre Moncho Monsalve, ex-técnico da seleção brasileira de basquete

Ex-técnico da seleção brasileira e referência do basquete espanhol, Moncho Monsalve morreu nesta terça-feira (28), aos…

7 horas ago

Sebrae Delas chega à São Luís de Montes Belos com mais de 50 participações | ASN Goiás

Mais de 50 mulheres descobriram na noite do dia 27, que as dores do passado…

7 horas ago

Goiás tem 68% de trechos de rodovias em boas e ótimas condições

Os investimentos do Governo de Goiás em infraestrutura rodoviária ampliaram em 68% a extensão de…

11 horas ago

This website uses cookies.