STF vai retomar julgamento sobre responsabilidade das redes sociais na próxima semana


O Supremo Tribunal Federal (STF) vai retomar em 4 de junho o julgamento sobre a responsabilização das plataformas digitais por conteúdos ilícitos publicados pelos usuários. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, deve marcar oficialmente a data ainda nesta quinta-feira, 29, junto com o calendário de todo o mês de junho, de acordo com a assessoria do Tribunal. O próximo voto será do ministro André Mendonça, que pediu vista em dezembro do ano passado e devolveu o processo no início desta semana.

As ações discutem o artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), que isenta as plataformas de responsabilização por conteúdos publicados por terceiros. No regime atual, as redes sociais apenas respondem por danos causados pelas postagens caso descumpram uma ordem judicial de remoção. Há duas exceções: violação aos direitos autorais e divulgação de fotos íntimas sem consentimento.

Já foram proferidos três votos. Os relatores, Dias Toffoli e Luiz Fux, votaram para derrubar o artigo 19. Eles defenderam que a regra geral da responsabilização das redes sociais por conteúdos de terceiros deve ser a notificação e retirada – o chamado notice and take down, que já era vigente antes da edição do MCI, em 2014. De acordo com essa regra, as plataformas digitais podem ser responsabilizadas caso não removam as postagens ilícitas logo após notificação dos usuários.

Barroso propôs uma linha divergente, mais favorável às big techs. Ele manteve o artigo 19, mas ampliou as exceções à regra. No regime de responsabilidade proposto pelo ministro, a regra geral para crimes (exceto injúria, calúnia e difamação) é a retirada logo após a notificação do usuário. No caso de crimes contra a honra, é necessária decisão judicial para preservar a liberdade de expressão. Em conteúdos impulsionados ou anúncios, quando já houve aval das plataformas e a postagem foi monetizada, a responsabilidade é imediata, independentemente de notificação.

Na última segunda-feira, 26, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu ao Supremo uma medida cautelar para a Corte reconhecer a necessidade de “imediata responsabilização dos provedores de aplicação de internet”, antes mesmo da conclusão do julgamento. Para embasar o pedido, a União apresentou estudo que identificou 1170 anúncios fraudulentos com uso de IA e apropriação indevida de imagens de autoridades.

Em reação à petição da AGU, a Meta disse ao Supremo que a concessão de uma medida cautelar, como pede a AGU, “esvaziaria o debate colegiado” e “geraria efeitos práticos de uma tese ainda não consolidada”. Também afirmou que o quadro descrito pela União “não corresponde à realidade dos fatos e encontra-se sensivelmente distante dos números e ações de integridade já adotadas em escala”.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Procuradorias da Mulher ganham protagonismo no fortalecimento do empreendedorismo feminino em Goiás | ASN Goiás

Participantes do seminário que colocou em pauta a importância das Procuradorias da Mulher nos municípios…

12 minutos ago

Ancelotti prevê que Brasil fará Copa do Mundo de alto nível

O técnico da seleção brasileira, o italiano Carlo Ancelotti, afirmou que o Brasil fará uma…

32 minutos ago

Basileu França abre 177 vagas para cursos de instrumentos musicais em Jaraguá

A Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França está com inscrições gratuitas para…

3 horas ago

Prêmio Goiás Aberto para Inteligência Artificial divulga resultado preliminar

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) publicou, nesta terça-feira (03/03),…

4 horas ago

Confira como acessar a legislação de defesa agropecuária

Site oficial da Agrodefesa reúne íntegra de leis, decretos, portarias e instruções normativas que regulam…

5 horas ago

Policlínica de Goianésia amplia acesso a exame de cistoscopia

A Policlínica Estadual da Região São Patrício – Goianésia, unidade do Governo de Goiás, passou…

6 horas ago

This website uses cookies.