“Relações entre países são baseadas em interesses e devem ser pragmáticas”, diz Barroso sobre Brasil-EUA sob Trump

Durante o Fórum Brasil, promovido pelo Brasil 247, em parceria com o LIDE, em Brasília nesta quarta-feira (13), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, comentou as consequências para o Brasil e o cenário global com a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Barroso enfatizou a importância de uma postura pragmática nas relações internacionais, especialmente diante das diferenças ideológicas que se acentuam entre o presidente Lula (PT) e Trump.

“As relações entre países são baseadas em interesses e devem ser pragmáticas, de modo que acho que o Brasil tem uma diplomacia altamente qualificada. A diplomacia vai saber lidar com essas questões”, declarou Barroso, sublinhando que, embora as divergências políticas entre os dois líderes possam representar desafios, a estrutura diplomática brasileira deve se apoiar em interesses estratégicos para superar barreiras. “A gente tem que ser pragmático”, completou.

O retorno de Trump gera preocupações no campo ambiental e multilateral, temas prioritários para a política externa de Lula, que advoga pela preservação climática e pela cooperação entre nações. Barroso lamentou o impacto negativo esperado no avanço das políticas climáticas globais, apontando a possível saída dos EUA de compromissos ambientais cruciais, como o Acordo de Paris, que Trump já abandonou uma vez. “Do ponto de vista ideológico e da articulação global vai haver um impacto [na agenda da preservação climática] que pode ser negativo. Todo mundo sabe a posição do presidente dos Estados Unidos. Já saiu uma vez do Acordo de Paris, acho lamentável”, afirmou Barroso.

Barroso também ressaltou que, com os Estados Unidos recuando na liderança ambiental, novos protagonistas podem emergir para suprir essa lacuna, citando a China como um potencial ator global na questão climática. “O que vai acontecer? Vão surgir novas lideranças ambientais no mundo, dentre elas a China. Portanto, não sei como essas placas tectônicas vão se ajustar, mas há uma demanda no mundo humanista por um enfrentamento à mudança climática, e se ela não for enfrentada com a liderança dos Estados Unidos, vão aparecer outras lideranças, e quem sabe não possa ser uma oportunidade”, ponderou

 

Fonte: Brasil247

Redação

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