redução de juros em dezembro não é certa, política não é predeterminada


O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou que uma redução de juros na reunião de dezembro não está garantida. A política monetária não é predeterminada, reforçou ele. “Uma nova redução nos juros na reunião de dezembro não é uma conclusão inevitável”, disse em coletiva de imprensa no período da tarde desta quarta-feira, 29.

Ele destacou que não há “caminhos sem riscos” para a política monetária. Assim, devem ser considerado os riscos para os dois lados do mandato, de emprego e de inflação. “Consideramos apropriado tomar passos rumo a juros mais neutros em outubro”, afirmou.

De acordo com ele, diante da tensão existente nos dois lados do mandato do Fed, opiniões diferentes dos dirigentes do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) tiveram um “nível intenso”. “Houve opiniões fortemente divergentes hoje, e a conclusão disso é que não tomamos uma decisão sobre dezembro”, reforçou.

Ao avaliar o mercado de trabalho nos EUA, Powell disse que a demanda por mão de obra diminuiu, mas evidências sugerem que as demissões no país continuam baixas.

O FOMC do Federal Reserve cortou nesta quarta a taxa dos Fed Funds (como é conhecida a taxa de juros dos Estados Unidos) em 25 pontos-base, para faixa entre 3,75% a 4% ao ano. Esta é a segunda vez que o Fed reduz as taxas de juros neste ano, após flexibilizar a política monetária em setembro.

Inflação

O presidente do Federal Reserve disse que a autoridade monetária não pode permitir que a inflação elevada nos Estados Unidos se torne um problema de longo prazo. “Nossa obrigação é garantir que um aumento no nível de preços não se torne um problema contínuo de inflação”, comentou.

Segundo Powell, o Fed optou por cortar os juros novamente porque os riscos para o emprego nos Estados Unidos aumentaram. “Agora, temos que avaliar”, disse.

O presidente do BC dos EUA afirmou que não há salto no índice de desemprego no país, e isso traz conforto sobre o mercado de trabalho doméstico.

Perspectivas não mudaram

Powell disse também que as perspectivas para a inflação e o mercado de trabalho nos Estados Unidos não mudaram muito desde setembro, apesar da ausência de dados por conta do shutdown nos Estados Unidos. “As condições no mercado de trabalho parecem estar se arrefecendo gradualmente, e a inflação permanece um pouco elevada”, comentou.

Segundo Powell, o crescimento da economia dos EUA pode estar “mais forte” do que esperado. Os gastos dos consumidores estão robustos, mas o setor imobiliário segue fraco no país, avaliou.

Powell afirmou, ainda, que o Fed segue comprometido com o duplo mandato da autoridade, de inflação e emprego. Diante disso, afirmou, os dirigentes decidiram cortar os juros em mais 25 pontos-base.

A decisão não foi unânime entre os dirigentes, com dois votos dissidentes. O diretor Stephen Miran defendeu o corte de 50 pontos-base, enquanto o presidente da distrital de Kansas City, Jeffrey Schmid, votou pela manutenção dos juros na faixa de 4% a 4,25% ao ano.

Efeito do shutdown no emprego

O presidente do Federal Reserve afirmou também que não é possível saber o efeito do shutdown sobre o mercado de trabalho e a decisão de política monetária de dezembro. A paralisação causou um apagão de dados e se estende há 29 dias, sendo a segunda maior da história norte-americana.

Powell destacou que o shutdown é temporário e, durante a paralisação, o Fed coletará todos os dados que puder, avaliando e pensando “cuidadosamente” sobre eles. “Não estou dizendo que vai (afetar a decisão de dezembro). Se você está dirigindo no nevoeiro, diminui a velocidade, então isso (shutdown) poderia impactar ou não. Eu não sei como isso vai influenciar as coisas”, disse.

Ele afirmou que a decisão de dezembro ainda está “muito longe” e muita coisa pode acontecer até lá. “Dados sugerem certa resiliência da economia dos EUA a riscos”, observou, acrescentando que o mercado de trabalho dos EUA não está em declínio rápido, mas sim em uma desaceleração lenta. Ainda que a taxa de desemprego continue fraca desde agosto, a demanda de mão de obra tenha diminuído, as demissões continuem baixas e a dificuldade de contratação esteja caindo, os riscos para o emprego continuaram a aumentar, ponderou.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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