Uma estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a infertilidade afeta uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva em algum momento de suas vidas. Em diversos países, os exames e os tratamentos para infertilidade são custeados pelas famílias tentantes – que realizam procedimentos para engravidar -, a custos elevados e com desafios emocionais altos. Raquel Sartorato, mestre em Psicologia da Estácio, explica que durante o processo de tentativa de engravidar, é comum que a emocionalidade esteja em alta, especialmente diante das incertezas e que a psicoterapia pode ser uma aliada fundamental, oferecendo um espaço seguro para acolher sentimentos, elaborar expectativas e lidar com possíveis frustrações.
“Participar de grupos de apoio também pode ser valioso, o compartilhamento de experiências ajuda a despertar identificação, a reduzir o sentimento de isolamento e a promover empatia. Além disso, práticas como atividade física regular, meditação e técnicas de respiração são eficazes principalmente no controle da ansiedade. Ter uma rede de apoio confiável, composta por pessoas próximas e profissionais especializados, é essencial para sustentar emocionalmente essa jornada”.
A psicóloga detalha que o acompanhamento psicológico tem diferentes relevâncias de acordo com cada fase, o que o torna importante ao longo de todo o processo.
“Antes do processo de tentativas é essencial um planejamento, pois não deve ser uma decisão impulsiva: precisamos levantar expectativas, medos, idealizações, se houve perdas anteriores, traumas, motivações e entender os caminhos possíveis. Durante o processo, lidamos com a realidade familiar, pressão, frustrações, tomadas de decisões, medo do insucesso, aprendizado do que podemos controlar e do que é incontrolável. Caso a gravidez aconteça, novas questões emergem: adaptação à rotina, redefinição da identidade da mulher como mãe, receios ligados a perdas anteriores e à maternidade em si. Cada mulher vive uma realidade única, e o cuidado psicológico deve ser contínuo e personalizado”, afirma Raquel.
Os tratamentos para engravidar, como a inseminação artificial ou a fertilização in vitro (FIV), costumam trazer uma carga mais intensa de estresse, pois nesses casos há investimentos não só emocional e físico, mas também o financeiro. Resultados negativos durante as diversas tentativas podem trazer sentimentos de frustração, culpa, vergonha, podem afetar a autoestima e causar solidão. Para lidar com esses sentimentos, a professora do curso de Psicologia da Estácio opina que o mais importante é acolher esses sentimentos e não fingir que eles não existem.
“Os sentimentos precisam ser aceitos, não de uma maneira passiva, mas de um modo ativo, buscando entendê-los e lidar à medida do possível, investigando, desmistificando e repensando. Cada sentimento traz junto pensamentos e crenças. Assim, a psicoterapia ajuda a investigar o que cada emoção está comunicando”.
Mulheres que estão no processo de tentar engravidar, muitas vezes se sentem pressionadas, por si mesmas ou pela sociedade (amigos, familiares etc), o que pode causar sofrimento psicológico à mulher tentante. A psicóloga explica que os suportes do parceiro, da família ou de profissionais de saúde mental podem tornar essa caminhada menos pesada.
“Principalmente se essa mulher já tiver uma predisposição a crenças sobre ´agradar` as pessoas à sua volta ou exigir muito de si mesma. Ter ao lado pessoas de confiança é essencial, embora, paradoxalmente, muitas mulheres relatem afastamentos nesse período. Acolher uma tentante exige escuta ativa, empatia e ausência de julgamentos. A rede de apoio deve estar disponível para compreender, respeitar o tempo emocional e oferecer suporte genuíno, inclusive incentivando o cuidado psicológico profissional”.
Raquel Sartorato explica que a saúde mental influencia diretamente no funcionamento do corpo humano, inclusive os sistemas hormonais e reprodutivos.
“O estresse crônico, por exemplo, ativa o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), elevando os níveis de cortisol, podendo desregular a produção de hormônios como FSH (Folículo Estimulante) e LH (Luteinizante), essenciais para a ovulação e fertilidade. O FSH é responsável por estimular o crescimento dos folículos ovarianos, que são estruturas que abrigam os óvulos e promove a produção de estrogênio, preparando o útero para uma possível gestação. Já o LH é crucial para a reprodução em homens e mulheres. Nas mulheres, ele desencadeia a ovulação e a produção de progesterona pelo corpo lúteo para preparar o útero para uma possível gravidez. Nos homens, o LH estimula os testículos a produzirem testosterona e espermatozóides. Por isso, alterações nos níveis de LH podem indicar problemas de fertilidade. Além disso, a desregulação emocional pode causar irregularidades no ciclo menstrual, redução da libido e evasão sexual. Estudos indicam que o emocional também afeta a qualidade dos óvulos e espermatozoides, interferindo na formação de embriões”.
A mestre em Psicologia detalha ainda que questões emocionais, como ansiedade e depressão, podem interferir em tentativas de engravidar em todos os métodos, sejam eles naturais ou não. A interferência pode acontecer de diferentes formas: o desgaste emocional pode levar à dificuldade em adesão ao tratamento ou ao processo de tentativas, desistência precoce ou à dificuldade de seguir protocolos médicos; pode também entrar em um ciclo vicioso, visto que o próprio tratamento/tentativas pode gerar mais ansiedade, criando um ciclo que prejudica os resultados. Logo, também é frequente casos de alterações no ciclo menstrual, pois mulheres com altos níveis de estresse ou ansiedade podem ter ciclos irregulares. A redução de libido e evasão sexual é frequente em casos depressivos e em situações de tensão emocional. Também existe uma relação quanto à qualidade da produção, ou seja, a ansiedade e a depressão podem levar à produção de óvulos e espermatozóides de menor qualidade, afetando inclusive a formação de embriões”.
A mestre em Psicologia cita que a literatura científica tem se debruçado cada vez mais sobre essa relação fertilidade X emocional. Raquel aponta estudos realizados no Instituto Valenciano de Infertilidade (IVI), que demonstraram que até 65% das mulheres enfrentam dificuldades para engravidar por fatores emocionais e destaca ainda a importância dos médicos que acompanham as tentantes (ginecologistas e especialistas em reprodução) na detecção de cuidados psicológicos e encaminhamento da paciente para os profissionais de psicologia ou psiquiatria.
“Ginecologistas e especialistas em reprodução muitas vezes são os primeiros profissionais procurados pelas tentantes. Por isso, devem estar atentos aos sinais de sofrimento emocional e realizar encaminhamentos adequados, explicando com sensibilidade a importância do cuidado psicológico. A atuação integrada entre profissionais da saúde é essencial para oferecer um suporte completo à mulher. Fertilidade não é apenas uma questão biológica, é também emocional, relacional e existencial”, finaliza a professora da Estácio e coordenadora do projeto de extensão “Mulheres, Hormônios e Produtividade”.
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