Presidente do Fed diz que pode estar na hora de pausar ciclo de flexibilização monetária


O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, afirmou que há um sentimento entre os dirigentes do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) de que pode estar na hora de pausar o ciclo de flexibilização monetária nos Estados Unidos. “Há um coro crescente agora de sentimento de que, talvez, este seja o ponto onde deveríamos pelo menos esperar um ciclo (antes de retomar cortes)”, disse ele, em coletiva de imprensa, no período da tarde desta quarta-feira, 29.

Powell afirmou que, ainda que não possa falar em nome de todos os dirigentes do FOMC, há sensação de que os juros nos EUA estão mais perto do nível neutro. Com os dois cortes anunciados nas últimas reuniões, as taxas norte-americanas estão 150 pontos-base (pb) mais próximas do juro neutro do que há um ano, conforme ele.

“Cortamos juros nas duas últimas decisões para apoiar demanda e não deixar emprego piorar”, disse Powell. “Vamos apoiar o mercado de trabalho quando necessário”, acrescentou.

Ele avaliou ainda que os balanços corporativos mostram mudanças em padrões de consumo, mas não queda em gastos por parte dos americanos. “Não estou dizendo que não vamos mover juros em dezembro, mas não podemos prever decisão”, reforçou.

Na sua visão, se houvesse fator significativo afetando a economia dos EUA, seria possível saber mesmo durante o shutdown. A desaceleração gradual do mercado de trabalho resulta de juros moderadamente restritivos, acrescentou Powell.

Tarifas

O presidente do Federal Reserve afirmou que as tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terão um “impacto único” na maior economia do mundo. Portanto, é um risco que a autoridade deve monitorar, disse.

Segundo Powell, as tarifas demoram a afetar as cadeias de produção e, por isso, o impacto na inflação também vem um pouco mais tarde.

“A expectativa básica é que haverá algum aumento adicional na inflação, porque leva um tempo para que as tarifas percorram a cadeia de produção e finalmente cheguem aos consumidores”, disse ele, em coletiva de imprensa, nesta tarde. Mas, conforme Powell, não se tratam de “grandes aumentos”. Isso pode ocorrer em produtos específicos, mas, no geral, os efeitos são “bastante modestos”, avaliou. “Inflação, excluindo tarifas, não está longe da nossa meta de 2%”, disse Powell.

Segundo ele, a inflação de moradias e de serviços está caindo nos EUA, e isso é “boa notícia”. “Não devem haver dúvidas que nosso objetivo é retorno da inflação a 2%”, concluiu.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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