A presidência da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30 ) divulgou nesta sexta-feira, 29, um apelo para que empresários compareçam ao evento, que será realizado em novembro em Belém. Em sua sétima carta, o presidente André Corrêa do Lago afirma que a transição climática é irreversível e aposta na conferência como “maior mercado de soluções” a nível global.
Há cerca de duas semanas, o presidente da SB COP, braço empresarial da conferência do clima, Ricardo Mussa, afirmou que CEOs de grandes multinacionais deixarão de vir ao Brasil por causa dos problemas logísticos capital do Pará.
No início de agosto, a crise de hospedagens atingiu seu auge quando cerca de 25 países assinaram uma carta pressionando o governo brasileiro para mudar o local da COP devido ao alto custo das acomodações.
Na carta, o presidente da COP30 reconhece os “desafios logísticos”, mas destaca que é “justamente nesse momento que o setor privado pode assumir a liderança, demonstrando que liderança climática significa se envolver com o mundo real.”
A mensagem da presidência faz um apelo para que o setor privado não recue nas transformações que têm sido promovidas ao longo dos anos.
“O setor privado já acelerou a transição de várias maneiras importantes, mas agora deve avançar, e não recuar, ampliando seu engajamento para tornar essa transformação uma realidade exponencial”, diz o texto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem ameaçado com tarifas países que investirem em energias renováveis e endossarem acordos climáticos. Com isso, Trump tenta induzir que outras nações ampliem o uso de combustíveis fósseis, principal vetor do aquecimento global.
Durante coletiva de imprensa sobre a última carta, Corrêa do Lago afirmou que apesar do comportamento de Trump, países ao redor do mundo têm apostado em fontes limpas.
“No resto do mundo, há uma tendência muito diferente, sobretudo na China, que é, provavelmente, o dínamo do avanço tecnológico e da nova maneira de produzir energia”, disse.
Nesse contexto, a sétima carta da presidência da COP chama a atenção para a conferência como oportunidade promissora de negócios.
“Com o histórico das COPs anteriores e o envolvimento crescente do setor privado, acredito que a COP30 pode se tornar o maior mercado global de soluções climáticas transformadoras, onde empresas – junto a outros atores – podem moldar o futuro da economia mundial”, afirma.
O setor privado tem sido visto por negociadores como uma saída para ampliar o financiamento climático. Durante a COP29, em Baku, as partes concordaram em fornecer US$ 300 bilhões para países em desenvolvimento até 2035.
Segundo especialistas, no entanto, o valor necessário chega a US$ 1,3 trilhão. Na carta, Corrêa do Lago chama os empresários para terem maior engajamento nas soluções climáticas.
“Em Belém, o setor privado terá uma oportunidade sem precedentes de liderar o mundo com rapidez e em escala. Estamos convocando as empresas a comparecerem e se engajarem por meio de soluções, parcerias, investimentos e ideias”, diz.
Por: Estadão Conteúdo