A gravidez na adolescência ainda representa um importante desafio de saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde (MSO) apontam que, apesar da redução gradual nos índices nos últimos anos, milhares de adolescentes continuam engravidando anualmente, cenário que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação qualificada e aos serviços de saúde.
Diante dessa realidade, a Policlínica Estadual da Região do Entorno – Formosa, unidade do Governo de Goiás administrada pelo Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), faz um alerta à população sobre os riscos da gestação precoce e a importância da prevenção.
Gravidez na adolescência
A adolescência, compreendida entre os 10 e 19 anos, é marcada por intensas transformações físicas, emocionais e sociais. Quando a gestação ocorre nesse período, pode trazer impactos significativos, como interrupção dos estudos, dificuldades financeiras, mudanças nos projetos de vida e maiores riscos à saúde da mãe e do bebê.
Estudos indicam que gestantes adolescentes apresentam maior probabilidade de complicações como parto prematuro e recém-nascidos com baixo peso.
Para a médica obstetra Maria Luiza de Freitas, a informação é a principal ferramenta de proteção e autonomia na juventude. Segundo ela, orientar de forma clara e responsável é essencial para reduzir riscos e fortalecer escolhas conscientes. “A adolescência é uma fase de descobertas e transformações”, ressalta.
“Quando o jovem tem acesso à informação correta, ele passa a compreender melhor o próprio corpo, os riscos envolvidos e a importância da prevenção. Falar sobre sexualidade com responsabilidade não estimula o início precoce da vida sexual; pelo contrário, promove maturidade, cuidado e planejamento. A informação é uma das principais aliadas na prevenção da gravidez não planejada e das infecções sexualmente transmissíveis”, continua a médica.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a educação sexual baseada em evidências é uma das estratégias mais eficazes para reduzir comportamentos de risco, prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e evitar a gravidez não planejada.
Entre os fatores associados à gravidez precoce estão a falta de orientação adequada, a dificuldade de diálogo no ambiente familiar, mitos sobre métodos contraceptivos, pressão do(a) parceiro(a) e barreiras no acesso aos serviços de saúde.
A desinformação ainda figura como um dos principais obstáculos, especialmente diante de crenças equivocadas sobre fertilidade e prevenção.
No Brasil, os métodos contraceptivos são disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo preservativo masculino e feminino, pílula anticoncepcional, injeção hormonal e o dispositivo intrauterino (DIU).
O preservativo, além de prevenir a gravidez, é o único método que também protege contra as ISTs, sendo fundamental para a saúde sexual da população.
A prevenção também passa pelo diálogo aberto entre pais, responsáveis, educadores e profissionais de saúde, além do fortalecimento das políticas públicas voltadas à juventude. Investir em informação de qualidade, acolhimento e acesso aos serviços é essencial para que adolescentes possam construir seus projetos de vida com autonomia, segurança e responsabilidade.
Fonte:Agência Goiana de Notícias
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