PGR se manifesta contra mandato online de deputado que está preso


O procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, 2, que a favor da perda do mandato de deputado que não compareça ao trabalho presencial no Legislativo. A manifestação do Ministério Público foi em recurso do ex-deputado Chiquinho Brazão, acusado de mandar matar Marielle Franco. Ele perdeu o mandato por estar preso em razão do processo e por isso deixou de comparecer à Câmara.

Embora o parecer de Gonet se aplique ao caso de Brazão, pode acabar valendo também para o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive fora do país desde fevereiro deste ano.

“A função parlamentar não é compatível com trabalho 100% remoto”, sustenta Gonet. “O comparecimento físico é a regra, de forma que as exceções devem ser episódicas, motivadas e devidamente regulamentadas”, aponta o trecho do parecer.

O documento ainda ressalta que atividades totalmente remotas são aplicáveis apenas a titulares de “altas funções estatais, que têm deveres constitucionais rigorosos”.

Gonet também destacou que, segundo o inciso III do art. 55 da Constituição Federal, “fica determinada a perda do mandato do deputado ou senador que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, a um terço das sessões ordinárias da Casa a que pertencer”. “O dispositivo prevê duas exceções que afastam a medida, mesmo que o limite de faltas seja ultrapassado: o gozo de licença ou o desempenho de missão autorizada”.

Eduardo Bolsonaro viajou para os Estados Unidos sob a justificativa de cuidar da saúde e solicitou licença parlamentar. Com o fim do período, o deputado acumula faltas nas sessões da Câmara.

Além disso, Eduardo e o blogueiro Paulo Figueiredo Filho são alvo de uma investigação da PGR. Na denúncia encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), Gonet afirma que ambos articularam “sucessivas e continuadas” tentativas de interferir no julgamento da ação penal da trama golpista.

Chiquinho Brazão

O ex-parlamentar é apontado como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco. Recluso das atividades sociais, Brazão perdeu o mandato por ausências na Câmara.

O condenado chegou a solicitar ao STF que avaliasse a manutenção de seu mandato até seu retorno, mas Gonet destacou que prisão não integra as hipóteses legais para a preservação do cargo.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro nas primeiras duas semanas de…

58 minutos ago

Municípios goianos ampliam participação no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora | ASN Goiás

O Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE) chega à sua 13ª edição em Goiás com números…

4 horas ago

PCGO prende homem em flagrante delito pro estuprar enteada em Paraúna – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Paraúna – 7ª DRP, na…

7 horas ago

PCGO, em ação conjunta com a PCPE, cumpre mandado e prende investigado por feminicídio – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual De Atendimento Especializado À Mulher…

13 horas ago

This website uses cookies.