Tenista mais velha ainda viva na chave do US Open, Laura Siegemund vem chamando a atenção no circuito pelo estilo controverso, com lentidão na reposição da bola em jogo e até com catimba. A alemã de 37 anos vive um dos melhores momentos da carreira e é parceria de Beatriz Haddad Maia nas duplas. Fora de quadra, é formada em Psicologia e até já lançou livro sobre o “jogo mental”.
Suas habilidades no aspecto mental do jogo chegaram a ser alvo de uma matéria do jornal The New York Times, nesta semana, por ocasião da disputa do US Open. O texto destaca, curiosamente, seu estilo de jogo como “artes das trevas”, explicando que a tenista “não necessariamente quebra as regras, mas as leva ao limite”.
Em 2016, a tenista se formou em Psicologia na Universidade de Hagen, na Alemanha. Antes, já tinha diploma de treinadora de tênis. Ela teria, inclusive, sido a melhor aluna da sua turma. Neste embalo, escreveu o livro “Wild Card: Mastering the Mental Game of Tennis”, em parceria com o professor doutor Stefan Brunner, descrito como especialista “coach mental”, além de cientista esportivo
“A pressão, o estresse e a ameaça de perder o controle têm o poder de inibir o desempenho profissional, atlético e, às vezes, até mesmo cotidiano de um tenista. Como o atleta pode lidar com esses desafios? ‘Wild Card’ é o guia indispensável para enfrentar esses momentos difíceis”, diz a descrição do livro, que amplia seus horizontes e estende seus benefícios para qualquer pessoa.
“Um atleta pode até mesmo aplicar essas estratégias mentais aos desafios diários da vida. Escrito da perspectiva da tenista de nível mundial Laura Siegemund, este guia equipa o atleta com as ferramentas para desenvolver concentração, foco, resiliência, capacidade de lidar com erros e autorregulação – tudo o que um atleta de alto rendimento precisa para dominar o jogo mental.”
Adversárias de Laura nas quadras acreditam que ela faz uso de técnicas de psicologia para se impor em quadra e enredar rivais com seu estilo mais lento, com o objetivo de causar provocações. Ela nega. “Eu não gosto ou busco causar problemas necessariamente, esse não é meu objetivo. Sei que tenho alguns hábitos bem controversos. Não tento perturbar ninguém, embora isso possa ser interpretado assim.”
“Eu sempre fui lenta, falando sobre violações de tempo e coisas do tipo. Isso não é nada que acabou de ser inventado agora. Eu sou bem consistente com a estranheza que eu tenho. Eu faço isso para mim e não contra os outros, mas às vezes leva à confrontação. Então eu fico, tipo, ‘Bem, é assim que eu sou'”, afirmou a tenista, em entrevista coletiva durante a disputa de Wimbledon, em julho.
Na grama de Londres, ela chamou a atenção pelos resultados. Derrubou favoritas e avançou até as quartas de final, sua melhor campanha da carreira em torneios de Grand Slam. Só parou na belarussa Aryna Sabalenka, atual número 1 do mundo.
Laura se tornou conhecida no circuito pelos bons resultados nas duplas. São 16 títulos, incluindo um troféu do US Open, em 2020. Foram ainda mais duas taças em Grand Slam em duplas mistas, em Roland Garros (2024) e novamente em Nova York (2016). Já chegou a ser a número quatro do mundo nas duplas femininas.
VILÃ E PARCEIRA DE BRASILEIRA
A alemã é uma das poucas do circuito que consegue equilibrar boas campanhas em duplas e também em chaves de simples. Nas duplas, ela vem jogando ao lado de Bia Haddad. Nesta sexta, inclusive, elas farão a estreia no US Open por volta de 17h (horário de Brasília). Juntas, foram campeãs na grama de Nottingham e vice em Adelaide. Em 2023, chegaram à final do importante WTA 1000 de Indian Wells, nos Estados Unidos.
Curiosamente, Laura foi a vilã de Bia e do Brasil em duelo com a Alemanha na Billie Jean King Cup. A alemã venceu seus dois jogos de simples (o outro sobre Carolina Meligeni) e garantiu o triunfo dos europeus sobre as brasileiras no Ginásio do Ibirapuera por 3 a 1, eliminando o Brasil na fase classificatória.
VIDA PELO MUNDO
A veterana nasceu na cidade de Filderstadt, mas conheceu o tênis quando morava em Berlim aos três anos de idade. No entanto, ela morou em diferentes cantos do mundo durante sua infância. Dos quatro aos sete anos, morou em Riad, na Arábia Saudita. Dos nove aos 10, viveu em Jacarta, na Indonésia. Ela fala alemão, inglês e francês de forma fluente.
Parte da história de vida da tenista é contada em outro livro, voltado para o público infantil. “LAURA SIEGEMUND: From Dreams to Tennis Fame-Tennis Biography For Kids (Dos sonhos à fama no tênis – Biografia de tênis para crianças, em tradução livre).
“Repleto de curiosidades, histórias dos bastidores e valiosas lições de vida, este livro mostra às crianças que, com grandes sonhos e muito coração, tudo é possível”, diz a descrição da obra. “Perfeito para leitores que amam esportes, aventura e histórias de perseverança, este livro é leitura obrigatória para quem acredita em sonhar grande e trabalhar duro.”
Por: Estadão Conteúdo