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Miopia já atinge 7,6% das crianças e adolescentes no Brasil

As férias escolares costumam trazer mais tempo livre e mudanças na rotina das crianças. Brincadeiras em casa, maior permanência em ambientes fechados e, quase sempre, um aumento significativo no uso de telas passam a ocupar grande parte do dia, enquanto as atividades ao ar livre ficam em segundo plano. Esse comportamento tem despertado alerta entre especialistas em saúde ocular, principalmente pela relação direta com o avanço da miopia infantil.

Dados da publicação CBO Miopia, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), mostram que a condição atinge 7,6% das crianças e adolescentes brasileiros entre 3 e 18 anos. O problema está associado a fatores como uso prolongado de telas, longos períodos de foco em curtas distâncias e baixa exposição à luz natural. Estudos citados pelo conselho indicam que crianças que passam mais tempo ao ar livre apresentam menor risco de desenvolver ou agravar a miopia.

De acordo com a oftalmologista do Hospital de Olhos de Palmas (HOP), Millane Vieira dos Santos, a luz natural desempenha papel fundamental no desenvolvimento saudável da visão. “A exposição diária à luz solar estimula a produção e liberação de dopamina na retina, o que ajuda a regular o crescimento do globo ocular e reduz o risco de progressão da miopia. Além disso, atividades ao ar livre diminuem o esforço visual de perto, muito comum durante o uso de telas”, explica.

O cenário se intensifica durante as férias escolares. A pesquisa Panorama da Primeira Infância, realizada pelo Datafolha a pedido da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, revelou que 78% das crianças de até 3 anos e 94% das de 4 a 6 anos têm contato diário com telas, com tempo médio que varia entre duas e três horas por dia. Esse padrão contraria recomendações médicas e aumenta o risco de alterações visuais precoces.

No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que crianças com menos de 2 anos não sejam expostas a telas. Para a faixa etária entre 2 e 5 anos, o tempo de uso deve ser limitado a, no máximo, uma hora por dia, preferencialmente com mediação de adultos. Entre 6 e 10 anos, a recomendação é de até duas horas diárias, enquanto adolescentes de 11 a 17 anos não devem ultrapassar três horas por dia. Pausas frequentes, boa iluminação e a alternância com atividades ao ar livre também fazem parte das orientações.

A oftalmologista Millane reforça que pequenas mudanças na rotina podem trazer benefícios significativos. “Estimular brincadeiras fora de casa, estabelecer limites claros para o uso de telas e manter consultas oftalmológicas regulares são atitudes simples que ajudam a proteger a visão das crianças. Quanto mais cedo esses cuidados começam, maiores são as chances de prevenir problemas futuros”, orienta.

Dener Rafael

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