ministro prorroga por um ano afastamento de 4 desembargadores do MA


O ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), prorrogou por um ano o afastamento de quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Maranhão, todos denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) nos autos da Operação 18 Minutos – investigação da Polícia Federal sobre suposto esquema de venda de sentenças na Corte estadual.

Noronha acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República ao considerar ‘imprescindível’ a medida – para ‘proteção da ordem pública e da credibilidade da jurisdição’ – que mantêm longe do Tribunal os magistrados denunciados por corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A decisão atinge os desembargadores Antênio Pacheco Guerreiro Júnior, Luiz Gonzaga Almeida Filho, Nelma Celeste Sousa Silva – cunhada do ex-presidente Sarney – e Marcelino Everton Chaves.

Segundo a acusação da PGR, os desembargadores e mais dois juízes de primeiro grau – Alice de Souza Rocha e Cristiano Simas de Souza – operavam verdadeira ‘mercancia de decisões judiciais’ com o conluio de políticos, advogados e servidores.

A Procuradoria sustenta que os juízes agiam ‘no exercício e em razão das funções públicas’ e com ‘uso de gabinetes, assessores e estruturas do tribunal para viabilizar ilícitos’.

A trama teria resultado ao grupo togado uma arrecadação de R$ 54 milhões em propinas. Todos negam ilícitos.

A operação foi batizada 18 Minutos porque esse era o tempo entre o despacho de sentenças e o saque de valores na boca do caixa em favor de beneficiários da fraude. Ao todo, são 29 os denunciados, inclusive 13 advogados e três assessores dos juízes.

Em outubro do ano passado, os magistrados foram afastados das funções pela primeira vez na Operação 18 Minutos, quando a Polícia Federal deflagrou a fase ostensiva da investigação por ordem do ministro Noronha.

Interferências

Em julho último, a Procuradoria comunicou a Noronha que o prazo de afastamento iria expirar no dia 7 de agosto. No dia 6, ele decidiu prorrogar por mais um ano a cautelar.

Noronha aponta a ‘gravidade concreta das imputações que envolvem organização criminosa supostamente instalada no âmbito do Tribunal de Justiça do Maranhão’.

O ministro também alerta para ‘a necessidade de impedir interferências no andamento do processo penal originário’ e na coleta de provas complementares.

Ele anotou que o afastamento deve ser prolongado diante da subsistência dos fundamentos que motivaram a imposição das cautelares, ‘os quais permanecem atuais e relevantes’, assim como a proibição de contatos com outros investigados e de acesso às dependências do tribunal.

Dissipação

Noronha ainda manteve de pé o sequestro e indisponibilidade de bens dos alvos da investigação 18 Minutos. Segundo ele, as medidas são ‘necessárias e adequadas para impedir a dissipação do produto do crime e a frustração da reparação de dano (…) evitando a continuidade das práticas ilícitas’.

“Não há elementos novos que autorizem a revogação ou o afrouxamento das medidas”, anotou o ministro.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro nas primeiras duas semanas de…

1 hora ago

Municípios goianos ampliam participação no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora | ASN Goiás

O Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE) chega à sua 13ª edição em Goiás com números…

4 horas ago

PCGO prende homem em flagrante delito pro estuprar enteada em Paraúna – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Paraúna – 7ª DRP, na…

7 horas ago

PCGO, em ação conjunta com a PCPE, cumpre mandado e prende investigado por feminicídio – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual De Atendimento Especializado À Mulher…

13 horas ago

This website uses cookies.