Justiça libera curso de Medicina voltado a assentados da reforma agrária


Por Redação O Estado de S. Paulo – 07/10/2025 20:55

O Tribunal Regional Federal da 5.ª região (TRF-5) derrubou nesta terça-feira, 7, decisão liminar que tinha suspendido o andamento de um edital do curso de Medicina do campus de Caruaru da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

A decisão do desembargador federal relator Fernando Braga garante a continuidade do certame voltado para a seleção de 80 alunos pertencentes ao público-alvo do Programa Nacional de Educação para Áreas de Reforma Agrária (Pronera). Ainda cabe recurso.

Pelas regras do edital, estão aptos a se candidatar ao processo:

Assentados da reforma agrária e integrantes de famílias beneficiárias do Crédito Fundiário;

Educandos egressos de cursos de especialização promovidos pelo Incra;

Educadores que exerçam atividades voltadas às famílias beneficiárias;

Acampados cadastrados pelo instituto;

Quilombolas.

Uma ação popular questionava a validade de Resolução do Conselho Universitário da UFPE e a legalidade do edital. Os autores alegavam que a universidade teria extrapolado sua autonomia e que o método de seleção geraria tratamento discriminatório e depreciativo.

Entre os nomes que encabeçavam a ação está Tadeu Calheiros (MDB), vereador do Recife. “Vamos recorrer da decisão ainda hoje”, afirmou nas redes sociais. “Estamos bastante esperançosos que esse edital vá ser anulado e vamos seguir até a instância que for possível para corrigir esse absurdo.”

Há cerca de uma semana, a Justiça chegou a acatar os pedidos de suspensão do edital, concedendo a liminar. Nomes como Calheiros defendem que criar turmas específicas no curso de Medicina feria o “princípio da isonomia”.

A AGU, então, recorreu, defendendo a legalidade da política pública e afirmando que se tornava urgente a reversão da decisão, uma vez que o cronograma do certame já está em fase avançada, com previsão de homologação de aplicação das provas em 12 de outubro. A AGU esclareceu, ainda, que a criação da turma especial de Medicina não prejudicaria nenhum candidato regular, já que as 80 vagas seriam suplementares; e que foram registrados 1.201 inscritos de 27 unidades da Federação.

Conforme a Advocacia-Geral da União, a iniciativa é fruto de uma parceria entre UFPE e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), executor do Pronera, e tem como objetivo formar médicos com vocação para a atuação no campo.

“O edital e a resolução são, portanto, materializações de uma parceria lastreada em lei e de uma ação afirmativa educacional voltada a grupo historicamente marginalizado (população do campo beneficiária da reforma agrária)”, defende a Advocacia-Geral da União.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Fiocruz conduzirá estudo com injeção contra HIV em sete cidades

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) irá iniciar um estudo para subsidiar a avaliação da incorporação…

10 horas ago

Sebrae Goiás integra Plano de Desenvolvimento do Setor Florestal lançado pelo Governo do Estado | ASN Goiás

O Governo de Goiás anunciou, nesta quinta-feira, 15, no Palácio das Esmeraldas, o Plano de…

13 horas ago

Reforma da UPA, postos de saúde e entrega do novo hospital integram o maior programa de estruturação da saúde em Goianésia

A Prefeitura de Goianésia deu início ao maior programa de reestruturação da saúde já realizado…

18 horas ago

CPE prende suspeito por tráfico de drogas durante ação em Goianésia

Uma ação da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) resultou na prisão de um suspeito por…

19 horas ago

Renegociação de dívidas: como reorganizar as finanças e sair do vermelho em 2026

A renegociação de dívidas tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum para brasileiros…

19 horas ago

Carnaval de Goianésia 2026 tem atrações nacionais e expectativa de R$ 15 milhões na economia

As atrações oficiais do Carnaval de Goianésia 2026 foram apresentadas na manhã desta sexta-feira, 16,…

20 horas ago

This website uses cookies.