Julgamento do ‘núcleo de desinformação’ do golpe pode ser usado para dosar punições a fake News


O Supremo Tribunal Federal (STF) deve usar o julgamento da ação penal do “núcleo de desinformação” do plano de golpe para definir parâmetros mais claros de como punir fake news.

A Primeira Turma do STF recebeu nesta terça-feira, 6, por unanimidade, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra sete aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acusados de disseminar notícias falsas e ataques ao sistema eleitoral e a instituições e autoridades como parte do plano para mantê-lo no poder.

Uma ala do tribunal considera que essa é uma boa oportunidade para debater como enquadrar a divulgação de notícias falsas e se é possível tipificar as fake news como crime, mesmo sem uma lei específica que regulamente o assunto.

Na sessão desta terça, o ministro Flávio Dino defendeu a necessidade de reconhecer que as fake news são uma “modalidade de violência gravíssima” que tem causado “danos gravíssimos e incontornáveis similares a uma facada ou a um tiro”.

Segundo Dino, esse reconhecimento precisa vir “pela via legislativa ou mesmo pela via jurisprudencial”.

“Creio que temos esse encontro marcado, nesses autos e em outros, com a aquilatação adequada acerca desse juízo que cabe aos julgadores”, defendeu.

“Em algum momento é preciso que haja essa compreensão social de que as fake news imbutem em si mesmas uma violência simbólica que extermina, que mata. Mata moralmente, mata psicologicamente, cria danos mentais, assassina reputações e leva ao terror dos alvos deste tipo de procedimento industrial que é uma das marcas terríveis do nosso tempo, que é a monetização do ódio, a monetização dessa violência simbólica por intermédio da tecnologia”, concluiu Dino.

O ministro Alexandre de Moraes é outro que defende uma punição dura para a disseminação em massa de notícias falsas. Essa é uma das maiores bandeiras do ministro. Moraes já comprou briga com as redes sociais ao exigir mais controle sobre o conteúdo que circula nas plataformas.

Nesta terça, na sessão da Primeira Turma, Cármen Lúcia sinalizou que deve seguir a mesma linha dos colegas. “Quando a mentira se põe a serviço dos ódios, as consequências são muito pouco humanas e, principalmente, nunca serão democráticas”, criticou a ministra.

A atualização do Marco Civil da Internet para punir a divulgação de notícias falsas está travada na pauta do Congresso. A iniciativa mais promissora foi o PL das Fake News, projeto de lei para regulamentar as redes sociais. A proposta foi retirada de pauta em 2023, após amplo lobby e pressão de grandes empresas de tecnologia, como Google e Telegram.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Mês do MEI fortalece pequenos negócios em Goianésia e região com capacitações gratuitas

O Mês do MEI chega à regional Norte de Goiás com uma programação voltada ao…

19 minutos ago

IPTU de Goianésia é prorrogado até 11 de maio e terá parcelamento em até 8 vezes

A Prefeitura de Goianésia anunciou, mais uma vez, a prorrogação do prazo para pagamento do…

1 hora ago

Em Jandaia, Procon apreende quase 450 latas de cervejas vencidas

O Procon Goiás apreendeu cerca de 450 latas de cervejas impróprias para consumo, totalizando 157…

3 horas ago

Corrida Nacional do Sesi supera 60 mil inscritos em segunda edição

A segunda edição da Corrida Nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi) ocorre na próxima…

5 horas ago

Campanha contra o sarampo visa evitar casos importados durante a Copa

Para evitar que as viagens de brasileiros para os jogos da Copa do Mundo se…

5 horas ago

Brasileiros estão consultando o CPF para verificar valores esquecidos e isso tem chamado atenção

Nos últimos meses, um movimento curioso tem chamado atenção de muitos brasileiros: o aumento nas…

5 horas ago

This website uses cookies.