Irã acusa ONU e AIEA de omissão e diz que sistema internacional vive “falência moral”


O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, acusou neste domingo, 22, a Organização das Nações Unidas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de omissão diante dos ataques dos Estados Unidos e de Israel a instalações nucleares iranianas. Em discurso no Conselho de Segurança, o diplomata afirmou que a ofensiva expôs a “falência moral, política e legal” do sistema internacional de segurança coletiva.

“A missão de oito décadas de prevenção da guerra e da agressão é vazia e sem poder na prática”, afirmou Iravani, ao criticar o Conselho de Segurança por não ter conseguido impedir a escalada. Segundo ele, a comunidade internacional foi devidamente informada dos riscos desde o início das hostilidades, mas não atuou de forma preventiva. O representante iraniano também questionou o papel da AIEA, afirmando que o diretor-geral Rafael Grossi se manteve em silêncio diante da ameaça às instalações sob sua supervisão.

“O ataque aos locais nucleares do Irã, sob a segurança da AIEA, é uma desgraça que permanecerá como uma mancha na credibilidade destes organismos internacionais”, disse. Iravani afirmou que o Irã foi alvo de uma ação ilegal conduzida por dois Estados membros da ONU, um deles signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT) e o outro, Israel, não submetido a qualquer regime de inspeção internacional.

Ao longo do discurso, o diplomata também citou episódios anteriores envolvendo os EUA, como as intervenções no Iraque, no Afeganistão e na Líbia, para afirmar que o ataque ao Irã é parte de uma política americana de desrespeito sistemático ao direito internacional. “Da invasão ilegal do Iraque e do Afeganistão até a intervenção catastrófica na Líbia, os Estados Unidos ignoraram o tratado da ONU e destabilizaram a região por décadas”, afirmou.

Iravani reforçou que o Irã continuará defendendo seu programa nuclear de caráter pacífico e pediu que os demais membros do Conselho condenem os bombardeios de forma inequívoca. Segundo ele, a falta de reação internacional pode abrir precedente para novas violações da soberania de outros países. “Se o Conselho de Segurança falhar novamente, a credibilidade das Nações Unidas e do regime de não proliferação estará comprometida de forma irreversível”, concluiu.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Portões Abertos da Base Aérea de Anápolis pode ter dois dias de evento em 2027

Após público recorde em 2026, organização estuda realizar o Portões Abertos da Base Aérea de…

9 horas ago

Seleção brasileira de vôlei supera o Chile por 3 a 0 na abertura do Sul-americano

Brasil vence o Chile por 3 a 0 na estreia do Sul-Americano de vôlei masculino.…

12 horas ago

Temporal causa alagamento na Avenida Brasil e interdita viaduto em Anápolis

Forte chuva em Anápolis causa alagamento na Avenida Brasil e interdita viaduto. Trânsito foi desviado…

12 horas ago

Jovem morre no Hugol após sofrer queimaduras graves em Goiânia

Geovanna Janny Brites Monteiro, de 23 anos, faleceu no Hugol após sofrer queimaduras graves. Polícia…

14 horas ago

Rio de Janeiro sedia cúpula internacional para debater futuro do futebol feminino

O Rio de Janeiro recebeu o Wifs, cúpula que debateu o futuro do futebol feminino…

15 horas ago

Bariani Ortêncio e sua trajetória singular na cultura e memória de Goiás

Conheça a trajetória de Bariani Ortêncio, escritor e folclorista que se tornou referência na preservação…

15 horas ago

This website uses cookies.