Ibovespa renova recordes e toca os 139 mil pela 1ª vez, com apetite por risco


Com o alívio em torno da leitura sobre a inflação norte-americana em abril, e de visão benigna do mercado sobre a ata do Copom, o Ibovespa renovou máximas históricas intradia e de fechamento nesta terça-feira, em que tocou a casa dos 139 mil pontos pela primeira vez. Ao fim, o índice da B3 mostrava alta de 1,76%, aos 138.963,11 pontos, quebrando o recorde que vigorava desde 28 de agosto passado, então aos 137.343,96 pontos naquele fechamento.

No intradia, aos 139.418,97 (+2,09%), superou também a marca de 137.634,57 vista na última quinta-feira, dia 8. Foi a quarta alta consecutiva para o índice de referência da B3.

“Comportamento hoje foi de 85% das empresas do índice em alta, com o Ibovespa renovando recordes. Havia muita expectativa para o dado de inflação ao consumidor nos EUA em abril, divulgado de manhã, e o que se viu foi uma taxa mais acomodada, mesmo com o receio que se tinha com relação a possível efeito do tarifaço americano. Abre espaço para a percepção de que se venha a ter taxa de juros mais baixa nos Estados Unidos”, diz Felipe Paletta, estrategista da EQI Research.

Ele acrescenta que a ata do Copom, também divulgada nesta manhã, corroborou o tom do comunicado da semana passada, com aumento da probabilidade de fim de ciclo de alta da Selic, hoje a 14,75% ao ano. “Essa expectativa se renovou hoje, sem sinal de potenciais aumentos, ainda que a taxa de referência, pelo tom duro do BC, venha a se manter alta por tempo longo.”

“O movimento de hoje na Bolsa refletiu uma clareza maior com relação ao futuro”, diz Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos. “Muitas empresas estavam bastante descontadas, mas havia muita incerteza com relação a inflação e juros, além dos efeitos da tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump no começo de abril. Houve arrefecimento dessa preocupação em relação a Estados Unidos e China, principalmente, e também há uma tranquilidade maior com relação até onde a Selic poderá ir, o que destrava valor na Bolsa”, acrescenta.

Para Rubens Cittadin, operador de renda variável da Manchester Investimentos, o alinhamento de Petrobras (ON +0,59%, PN +1,52%) à tarde com as demais blue chips deu firmeza ao avanço do Ibovespa no dia seguinte ao balanço da estatal, com a convergência de fatores externos (inflação americana, distensão entre EUA e China) e internos (ata do Copom) que resultou, também, em queda do dólar frente ao real. No fechamento, a moeda americana era cotada a R$ 5,6087, em baixa de 1,32%.

“Os níveis tarifários entre EUA e China começam a entrar no que é praticável, e as bolsas em todo o mundo têm reagido bem. Antes, o que se tinha era praticamente um embargo comercial”, resume Daniel Teles, especialista da Valor Investimentos.

Com base em um simulador de tarifas do Observatório de Complexidade Econômica – uma plataforma de visualização de dados econômicos originada de projeto de pesquisa no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts -, relatório do Itaú aponta que tarifas de importação entre 50% e 60%, no intercâmbio entre Estados Unidos e China, são o limiar a partir do qual cessa, praticamente, o fluxo comercial entre as duas maiores economias do globo.

“A trégua tarifária entre EUA e China e a revisão para cima das projeções de crescimento do país asiático ajudam a reduzir a aversão a risco. Isso, somado a um índice VIX abaixo de 20, reforça o apetite por ativos de países emergentes e favorece o Brasil”, diz Lucas Almeida, sócio da AVG Capital, referindo-se ao índice de volatilidade de Wall Street, considerado uma espécie de termômetro do medo – e que costuma disparar em momentos de maior tensão e incerteza global.

“Essa melhora de percepção global tem destravado valor na Bolsa brasileira, com ativos que vinham depreciados. O acerto entre Estados Unidos e China trouxe alívio, e temos observado muito fluxo de estrangeiro nos últimos dias, com ingresso de mais de R$ 6 bilhões na B3 neste começo de maio”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, acrescentando que o fluxo estrangeiro, no ano, está positivo em R$ 16,5 bilhões, o que dá suporte à progressão do índice.

Nesse contexto mais favorável ao apetite por risco, a principal ação do Ibovespa, Vale ON, subiu nesta terça 1,64%, e entre os grandes bancos a alta do dia ficou entre 1,23% (Itaú PN) e 2,15% (Bradesco PN).

Na ponta ganhadora do Ibovespa, destaque para Hapvida (+11,30%), Azul (+10,85%) e CVC (+9,29%). No lado oposto, Yduqs (-8,48%), JBS (-2,48%) e Brava (-2,35%). O giro financeiro foi a R$ 27,7 bilhões. Na semana, o Ibovespa sobe 1,80% e, no mês, ganha 2,88% – em 2025, a alta chega agora a 15,53%.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Saúde pública no RJ registra aumento nos atendimentos ligados ao calor

As altas temperaturas registradas no estado do Rio de Janeiro nas primeiras duas semanas de…

2 horas ago

Municípios goianos ampliam participação no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora | ASN Goiás

O Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora (PSPE) chega à sua 13ª edição em Goiás com números…

4 horas ago

PCGO prende homem em flagrante delito pro estuprar enteada em Paraúna – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Paraúna – 7ª DRP, na…

7 horas ago

PCGO, em ação conjunta com a PCPE, cumpre mandado e prende investigado por feminicídio – Policia Civil do Estado de Goiás

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual De Atendimento Especializado À Mulher…

14 horas ago

This website uses cookies.