A Polícia Civil prendeu um casal, nesta quarta-feira, 28, em Goiânia, suspeito de aplicar diversos golpes por aplicativos de mensagem. Em um dos casos investigados pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos (DERCC), a dupla se passou por uma médica conhecida na capital, para solicitar transferências bancárias ao pai da profissional, de 72 anos. A vítima, acreditando se tratar de sua filha, transferiu R$ 50 mil para uma conta vinculada aos indivíduos.

Segundo a delegada Sabrina Leles, os suspeitos alugavam contas de laranjas para o recebimento dos valores provenientes dos golpes. Em seguida usavam uma empresa de fachada para realizar a lavagem do dinheiro. “Verificamos que a empresa era registrada no local em que reside a família desse casal e que não há nenhuma estrutura de empresa lá”, destacou. A dupla, mesmo sem demonstrar o desenvolvimento das atividades supostamente realizadas pela empresa, vivia uma vida de luxo.

O casal teria comprado recentemente um veículo, avaliado em R$ 300 mil, o que gerou ainda mais suspeitas durante as investigações. “Uma casa muito bem estruturada, com piscina, realizavam viagens com a família, com os filhos para a praia e também possuíam esse veículo, que está registrado no nome da mulher do casal. Então uma vida com muito dinheiro, incompatível com alguém que se diz proprietário de uma empresa que sequer consegue comprovar atividades intensas para obter esse tipo de lucro”, pontuou.

De acordo com a titular da especializada, um dos suspeitos já tinha antecedente criminal, pela aplicação de um golpe, em 2017. “A mulher desse casal já foi indiciada pelo crime de estelionato, em uma cidade do interior de Goiás, onde foi utilizado aquele golpe conhecido como ‘bença tia’. Alguém liga no telefone, se passa por um sobrinho e obtém o valor através do crime. Então a gente verifica que é um casal dado a essa prática de fraudes e golpes e que eles evoluíram. Em 2017 o golpe acontecia por telefone e hoje por WhatsApp”, ressaltou.

Na manhã desta quarta-feira, os policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na residência dos suspeitos. No local, foram encontrados 84 cartões bancários em nome de diversas pessoas, 48 máquinas de cartões, três notebooks, 15 celulares, R$ 3.680,00 em espécie, além de uma pistola calibre 380 e 82 munições intactas. O casal foi preso pela posse irregular da arma. “Nos chamou muito a atenção porque a arma estava escondida dentro do guarda-roupa, no quarto das crianças, eles têm quatro filhos”, afirmou.

Durante a ação, o veículo de luxo também foi apreendido. Agora, todo o material deverá passar por perícia. “Por meio agora da análise dos dados, das máquinas, celulares, as próprias maquininhas de cartão de crédito e débito, oportunizarão a gente ter uma ideia melhor de quanto tempo eles vem agindo e quem seriam as outras possíveis vítimas deles. Vamos analisar a identificação das pessoas que constam naqueles cartões e descobrir qual é o vínculo dessas pessoas. Então o trabalho da polícia continua”, informou.

Ainda segundo a delegada Sabrina Leles, os itens apreendidos poderão ser convertidos em valores, para o ressarcimento das vítimas. “O judiciário, caso não tenha sido apreendido o valor que chegue a aquele que foi o prejuízo da vítima nas contas bancárias deles, poderá converter o bem móvel para pagamento do prejuízo”. A Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos fez um alerta para que, caso os usuários do aplicativo de mensagem recebam pedidos de transferências bancárias, mesmo que em nome de conhecidos, não realizem as transações sem verificar se o pedido realmente é feito pela pessoa identificada.