G1 Goiás - Após Goiás ultrapassar a marca de 100 mortes por coronavírus, a Universidade Federal de Goiás - UFG - divulgou um novo estudo que mostra que o pico da doença pode ser em julho, quando o número de mortos pode chegar a 6 mil, se o índice de isolamento social continuar baixo, em torno de 30%.

Os dados foram revelados na quarta-feira, 26. A pesquisa mostra que apenas 36% da população está isolada em casa, o que significa que cerca de 4,5 milhões de goianos estão circulando pelas ruas, seja com ou sem permissão do decreto estadual.

A pesquisa fez projeções utilizando três cenários calculados com base no número de pessoas nas ruas. O mais otimista deles, projetado no gráfico com uma linha azul, considera um isolamento maior, e o pior, sinalizado de vermelho, mostra a projeção de mortes caso o índice de isolamento vivido atualmente se mantenha (veja abaixo).

No melhor cenário, a UFG calcula que Goiás vai precisar de até 288 leitos de hospital até o final de julho. No cenário verde, que é intermediário, há um aumento da demanda hospitalar, e a estimativa é de que serão necessários até 3.778 leitos até tal mês.

Já no cenário vermelho, o pior quadro e o mais provável de acordo com o estudo, Goiás deve precisar de até 5.144 leitos hospitalares até o final de julho, número que é 18 vezes maior do que o número de leitos que há na rede pública do estado, nesta segunda-feira, 27.Linha azul indica a evolução dos casos se aumentar o isolamento maior. Já a vermelha é a previsão caso o índice de isolamento se mantenha em 30% — Foto: Reprodução/TV Anhanguera

Projeção confirmada
Em abril, a UFG divulgou uma projeção que foi confirmada na última terça-feira, 26. O estudo apontava 106 mortes até 26 de maio. Na data, o boletim oficial da Secretaria Estadual de Saúde divulgou 104 mortes pela doença. A diferença também foi calculada na margem de erro da pesquisa da universidade.

Um dos professores responsáveis pela pesquisa, Thiago Rangel disse que, no final de julho, se continuar como estamos, seis pacientes estarão disputando um leito diariamente.

“Até agora, apesar do trabalho enorme de construir um modelo que fosse capaz de fazer essas projeções, nós da equipe nunca imaginamos que a gente fosse capaz de capturar essa tendência de uma maneira tão clara. Então, desde abril, nós estamos sendo capazes de capturar a série temporal, o número de óbitos diários, dentro da margem de erro. Inclusive, nós acertamos exatamente o dia exato que completaríamos 100 óbitos acumulados desde o início da pandemia”, disse.

Segundo o professor, o que mais chama a atenção é o fato de os dados projetados na primeira pesquisa estarem se cumprindo.

“Em toda a minha experiência, construindo modelos, eu jamais imaginava que a gente fosse capaz de ter um modelo tão preditivo. Por outro lado, infelizmente, nós estamos acertando exatamente no cenário vermelho, o que é muito ruim para o estado, porque esse cenário não é sustentável no longo prazo”, disse.

Na pesquisa, tudo é avaliado, desde o comportamento até o que temos disponível no sistema de saúde. “Na nossa última nota técnica, nós tivemos um cuidado especial de recalibrar o modelo para refletir as práticas médicas que acontecem em Goiás. Então, agora, nós estamos acertando exatamente a tendência, não apenas do número de óbitos, mas também da demanda de leitos”, disse.

Thiago reforça a necessidade de aumentar as regras de isolamento social.

“Nós estamos com grande grau de confiança que, se continuarmos na mesma trajetória, pode ser que falte leitos a partir de julho. Por esse motivo, é muito importante aumentar o isolamento social antes que isso aconteça. Goiás foi exemplo para o país em abril. Todo aquele esforço não pode ser em vão”, disse.

Segundo o professor, ainda é possível reverter essa projeção. Ele diz que, para termos um cenário “azul” no combate ao coronavírus, metade da população de Goiás precisa se manter isolada em casa.

 

“Se o estado de Goiás volta para um isolamento de 50% imediatamente, não haverá, de maneira nenhuma, uma sobrecarga no sistema hospitalar. Haverá leitos para todo mundo. Isso precisa ser feito agora, é urgente. Agora, mais do que nunca, estamos em um ponto de decisão”, disse.