Festival Tordesilhas encanta público em Olhos D’Água
Em Olhos D’Água, distrito de Alexânia, uma linha invisível atravessa o mapa há mais de cinco séculos. No passado, ela dividiu o mundo entre impérios.
No último domingo (15/03), essa mesma linha serviu de inspiração para unir culturas, sabores e histórias no Festival Tordesilhas, que transformou a Praça Santo Antônio em um cenário vibrante de encontro entre Portugal, Espanha e o cerrado goiano.
Moradores, visitantes e autoridades caminharam entre barracas de artesanato, apresentações culturais e aromas que vinham das panelas fumegantes.
O festival reuniu música, dança e gastronomia em uma programação que deu nova vida a um capítulo da história mundial que, curiosamente, também passa por Goiás.
Promovido pelo Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado do Entorno do Distrito Federal (SEDF-GO), em parceria com a Prefeitura de Alexânia e com apoio das embaixadas de Portugal e da Espanha, o evento utilizou o legado do Tratado de Tordesilhas como ponto de partida para celebrar o encontro entre povos e tradições.
Durante a abertura, o secretário do Entorno, Pábio Mossoró, destacou o potencial cultural e turístico da região e o trabalho do Governo de Goiás para fomentar e alavancar a economia no Entorno.
“Celebrar a história da Linha de Tordesilhas aqui em Olhos D’Água é também valorizar a identidade do Entorno. Este festival aproxima culturas, fortalece o turismo e mostra que nossa região tem vocação para receber o mundo”, afirmou.
O prefeito de Alexânia, Warley Gouveia, ressaltou a importância do evento para o município.
“Olhos D’Água, capital do artesanato, é um patrimônio cultural de Alexânia. Hoje mostramos ao Brasil e ao mundo que preservamos nossa história e abrimos espaço para novas experiências culturais e turísticas”, disse.
Representando o Gabinete de Relações Internacionais da Secretaria-Geral de Governo de Goiás, Marcelo Mariano destacou o simbolismo de transformar um episódio histórico em uma celebração cultural.
“Algo que aconteceu em 1494, com o Tratado de Tordesilhas, hoje conseguimos transformar em um encontro de culturas. Usamos essa história para unir Goiás, Espanha e Portugal e trazer cultura e lazer para todos”, afirmou Mariano.
A ministra-conselheira do Consulado de Portugal no Brasil, Sandra Magalhães, elogiou a iniciativa.
“É para nós uma grande honra e satisfação estar neste lugar emblemático e assistir às manifestações culturais e gastronômicas que tornam este evento uma celebração tão singular”, afirmou.
Já o conselheiro cultural da Embaixada da Espanha em Brasília, José Miguel de Lara, destacou o significado simbólico do festival.
“Uma linha que um dia dividiu o mundo hoje está reunindo culturas: a brasileira, a espanhola, a portuguesa e também a cultura de Goiás”, disse.
Festival Tordesilhas reuniu culturas, sabores e histórias (Foto: SEDF)
Marco histórico
Durante a programação também foi descerrada uma placa que marca simbolicamente o ponto por onde passa a Linha do Tratado de Tordesilhas na Praça Santo Antônio. A homenagem reconheceu o valor histórico da descoberta e o papel da comunidade local na preservação dessa memória.
Festival Tordesilhas
Ao longo da tarde, a praça se encheu de ritmos, aromas e cores. O público acompanhou apresentações culturais e musicais que evocaram a herança ibérica e dialogaram com a hospitalidade goiana.
Entre os momentos mais celebrados esteve a apresentação do grupo de flamenco Capricho Espanhol. O espetáculo envolveu o público com palmas, sapateados e vestidos rodopiando e chegou a convidar espectadores e representantes diplomáticos a participarem da dança.
Também emocionou o público o grupo Cantares Portugueses, que trouxe ao palco canções marcadas pela nostalgia e pela força do fado.
A gastronomia foi outro ponto alto do festival. A tradicional paella espanhola preparada em grandes tachos atraiu olhares e filas, enquanto pratos inspirados na culinária portuguesa completaram a experiência. Pastéis de belém, torricado de bacalhau e outras iguarias se esgotaram rapidamente.
Entre os visitantes estava Maria Aparecida Lopes, 54 anos, moradora de Abadiânia, que se disse impressionada com o evento.
“Eu nunca tinha visto flamenco de perto. É emocionante. E a comida está maravilhosa”, afirmou. Quem também aprovou a experiência foi Lucas Ferreira, 28 anos, de Brasília. “Eu vim pela curiosidade histórica e fiquei impressionado com as apresentações”, disse.