Por Redação O Estado de S. Paulo – 30/08/2025 09:03
A Família Brasil, crônica gráfica escrita e desenhada por Luis Fernando Verissimo ao longo das décadas, foi um dos trabalhos mais lembrados da carreira do autor. Publicada desde 1988 no Estadão, a tirinha teve seu fim anunciado em agosto de 2017.
“A razão para parar de fazer a Família Brasil é só uma prosaica vontade de trabalhar menos”, explicava Verissimo ao jornal. “Minha ideia é, de tempos em tempos, mandar um desenho para a coluna, como ilustração ou cartum”, prosseguia, avisando que pontualmente os personagens poderiam voltar – mas sem periodicidade fixa.
O que é a Família Brasil
A Família Brasil era composta por alguns personagens, que representavam a classe média brasileira em tirinhas de humor que envolviam um quê de reflexão e crítica ao longo das décadas. Eram eles:
– O pai, de profissão desconhecida
– A mãe, dona de casa
– O filho adolescente
– A filha
– O namorado da filha, Boca
– O neto
A repercussão do fim da Família Brasil
À época, o Estadão entrou em contato com diversas figuras do mundo dos quadrinhos e dos cartuns. A obra do autor, como de costume, foi reverenciada com unanimidade. Para o colega Ziraldo, a Família Brasil representava a facilidade “extraordinária” de Luis Fernando em perceber o que ocorria ao seu redor: “O Verissimo nunca faz uma piada pela piada”.
O historiador e quadrinista André Toral lamentava: “Um homem discreto, calmo e inteligente que gosta de jazz, cria um humor fino, algo cínico e sempre trazendo a perplexidade do cidadão comum com a política e com o nosso tempo. Que pena o fim da Família.”
“Allan Sieber, autor gaúcho, elogiava os desenhos “sem malabarismos” do autor: “A Família Brasil é uma classe média que não existe mais na nossa cansada pátria”. O ilustrador Benett também comentava: “É melancólico não ter mais essa tira, especialmente nesse momento sombrio que o País está vivendo”.
Fabiane Langona, quadrinista e chargista gaúcha, destacava que a obra de Verissimo fazia “parte da formação basal de grande parte dos viventes” do Rio Grande do Sul. “Lembro do quão intrigada fiquei nessa época quando percebi que um cartunista não precisa, necessariamente, desenhar eruditamente para ser genial”.
Por:Estadão Conteúdo
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