falas e atitudes de Lula e Moraes atrapalham negociações sobre tarifaço com EUA


A economista e sócia da Gibraltar Consulting, Zeina Latif, lamentou nesta segunda-feira, 25, o estágio das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. De acordo com ela, as falas do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e, também, do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), têm atrapalhado as negociações.

“Eu acho que podia ser melhor. Claro que é fácil falar do outro lado do balcão. Desculpe, eu acho que a retórica do presidente atrapalha um pouco. Quando a gente olha a cronologia das falas do presidente com as atitudes dos Estados Unidos, eu acho que prejudicou. Diria o mesmo sobre o ministro Moraes. Acompanhando o que os especialistas colocam, todas essas atitudes e entrevistas com a mídia internacional são interpretadas como provocações”, disse a economista, que participa nesta manhã do Seminário Brasil Hoje, do Esfera Brasil.

Na ocasião, Zeina também fez comentários sobre o pacote de ajuda desenhado pelo governo Lula a empresas brasileiras que vão ser prejudicadas pelo tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump.

“Acho também que o pacote de ajuda podia ter outros ingredientes. Vou citar um aqui: mudar o desenho do fundo garantidor de exportação para que ele continuasse com a natureza de fundo garantidor, mas trazendo o setor privado. Poderia trazer os bancos para dentro do fundo. Os bancos, não necessariamente bancos privados, mas trazer os bancos, trazer o setor privado de uma forma geral para participar desse processo de decidir que empresas vão ser beneficiadas”, avaliou Zeina. “Particularmente, as pessoas podem achar que os economistas são pessoas horrorosas, mas, enfim, acho que essa contrapartida de empresas não é adequado para esse momento. Uma coisa é você fazer uma política industrial e colocar contrapartidas. No momento que as empresas precisam se adaptar a uma nova realidade elas precisam ter flexibilidade de gestão”, disse a economista.

Ao mesmo tempo, Zeina observou que o Brasil não pode perder de vista seus ativos. Segundo ela, o País é cada vez mais visto como parceiro confiável e precisa aproveitar esse status, sobretudo em momentos de choque, para definir uma agenda de longo prazo. Para a economista, este é o momento de discutir o grau de fechamento da economia brasileira.

“Se a gente tivesse hoje uma economia mais aberta, com mais acordos comerciais, a capacidade das nossas empresas de reorientarem a sua produção seria maior, teria uma flexibilidade maior e uma inserção do Brasil. Eu acho que a gente é muito tímido nessa inserção. Mesmo na agenda de transição verde, eu acho que podia ter toda uma discussão e a gente fica patinando. A gente precisa olhar mais o longo prazo. Acho que a gente fica muito preso em dar respostas ao curto prazo e acho que a gente tinha que ter uma agenda mais ambiciosa”, disse ela.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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