A Polícia Federal prendeu preventivamente o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (PL), na manhã desta sexta-feira, 13, no Recife. Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), ele tentou obter um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sair do Brasil. Agentes fizeram buscas na casa de Cid, em Brasília.
Em depoimento à PF, Machado – que ocupou o ministério na gestão Bolsonaro – negou ter pedido um passaporte para o tenente-coronel e disse que seu último contato com o militar foi em 2022. Também ouvido pelos investigadores, ontem, Cid afirmou que não planejou nenhuma fuga. Ao Estadão, sua defesa declarou que ele tem cidadania portuguesa, o que já havia sido informado ao Supremo Tribunal Federal (STF) (mais informações na pág. A10).
Na última quarta-feira, 11, uma investigação autônoma foi aberta para verificar se Machado atuou para conseguir um passaporte para Cid. O inquérito tramita em sigilo no STF, sob a condução do ministro Alexandre de Moraes, que decretou a prisão do ex-ministro. Moraes também é o relator da ação penal do golpe, que tem Bolsonaro e Cid entre os réus.
Quando a informação sobre uma possível tentativa de fuga do tenente-coronel veio a público, Machado alegou que só entrou em contato com o consulado português, em maio, para ajudar o pai, Carlos Eduardo Machado Guimarães, a renovar o passaporte.
Instrução
No entanto, ao pedir a prisão preventiva do ex-titular do Turismo, a PGR afirmou que há “forte possibilidade” de que ele tenha tentado ajudar Cid em um plano de fuga do Brasil. No dia 12 de maio, Machado procurou o consulado de Portugal, na capital pernambucana. Para a Procuradoria, o objetivo era conseguir um documento para o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e, com isso, “viabilizar sua saída do território nacional”. O passaporte não foi emitido.
Em manifestação a Moraes, o chefe do Ministério Público Federal, Paulo Gonet, disse haver indícios dos crimes de favorecimento pessoal e obstrução de investigação envolvendo organização criminosa. De acordo com Gonet, uma fuga teria sido articulada “tendo em vista a proximidade do encerramento da instrução processual” da ação penal da trama golpista. Cid fechou delação premiada. Nesta semana, ele, Bolsonaro e outros réus do “núcleo crucial” do golpe foram interrogados no STF.
“A informação reforça a hipótese criminal já delineada pela Procuradoria-Geral da República e evidencia a forte possibilidade de que Gilson Machado e Mauro Cid estejam buscando alternativas para viabilizar a saída de Cid do País, furtando-se à aplicação da lei penal”, escreveu Gonet em manifestação sigilosa ao STF.
O pedido foi enviado nesta quinta, 12, a Moraes. Gonet pediu “urgência”. “A conclusão da fase instrutória da Ação Penal n.º 2.668/DF, na qual Mauro César Barbosa Cid é réu colaborador, e a proximidade de sua finalização com análise de mérito tornam premente a adoção de medidas mais gravosas, voltadas à garantia da aplicação da lei penal”, justificou ele.
A PGR pediu também a prisão preventiva de Cid; Moraes ordenou buscas e mandou o militar prestar depoimento.
A PF passou a monitorar a movimentação de Machado – que é sanfoneiro e tem uma banda de forró – desde que ele criou, em maio, por meio de seu perfil no Instagram, uma “vaquinha” para ajudar Bolsonaro a pagar despesas com advogados e médicos (mais informações na pág. A10).
Viagem
Um dos motivos que levaram a PF a abrir a operação de ontem foi a saída da família de Cid do Brasil. No último dia 30, os pais dele, Agnes Barbosa Cid e Mauro Lourena Cid, sua mulher, Gabriela Santiago Ribeiro Cid, e uma das filhas do casal viajaram para Los Angeles, nos Estados Unidos. Eles não têm nenhuma restrição para deixar o País.
A defesa do militar disse que a família foi comemorar a formatura de um sobrinho e o aniversário de outra sobrinha do pai de Cid, que é general. A volta para o Brasil está prevista para 20 de junho. “Foram com passagens de ida e volta. E o passaporte supostamente requerido pelo Gilson Machado teria sido o português. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, afirmou a defesa.
Acordo
O acordo de delação de Cid obriga o tenente-coronel a “falar a verdade incondicionalmente” sobre episódios que pressionam Bolsonaro, como o plano de golpe e o desvio de joias. Segundo o documento, coube a ele “esclarecer espontaneamente todos os crimes que praticou, participou ou tenha conhecimento”, “fornecendo todas as informações e evidências ao seu alcance”.
Em troca, o tenente-coronel pediu perdão judicial ou pena privativa de liberdade de no máximo dois anos; restituição de bens e valores apreendidos; extensão dos benefícios para seu pai, mulher e filha; e segurança para ele e sua família. Os benefícios podem ser cassados se ficar comprovado que ele mentiu ou tentou obstruir a investigação e a “aplicação da lei penal”, situação em que uma tentativa de fuga se enquadra juridicamente.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Por: Estadão Conteúdo
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