‘Estou cuidando mais da minha saúde física e mental’


A ginasta Rebeca Andrade, maior medalhista olímpica do Brasil, anunciou nesta terça-feira, em palestra na Rio Innovation Week (RIW), que não vai mais competir no solo. A atleta explicou que a modalidade é a que tem maior impacto e que ela precisa poupar seu corpo para garantir uma carreira mais longeva.

“Eu não vou mais fazer solo; o solo é o que causa mais impacto”, afirmou a ginasta. “Tem 21 anos que faço ginástica, é muito impacto. Foram cinco cirurgias no joelho, uma em cada pé. (Parar de fazer solo) vai me fazer continuar treinando por mais tempo. Eu sei que vocês amam quando eu faço solo, mas ainda posso mostrar muito nos outros aparelhos.”

Rebeca explicou que, embora pretenda competir no Mundial de Ginástica Artística deste ano, em outubro, em Jacarta, na Indonésia, o foco maior da sua preparação é para os mundiais 2026 e 2027, sobretudo este último, que vale vaga para as Olimpíadas de 2028, em Los Angeles.

“Este ano, estou cuidando mais da minha saúde física e mental, não estou treinando tão forte”, explicou a atleta. “Isso é crucial para os próximos anos, temos pelo menos mais uma Olimpíada pela frente.”

Ela garantiu que o seu joelho estará em ótimas condições para a competição em Los Angeles. “Tá agourando meu joelho?”, brincou com o jornalista que perguntou sobre as próximas Olimpíadas. “Ele vai estar inteiro”.

Simpática e sorridente, Rebeca relembrou o pódio histórico nas Olimpíadas de Paris, no ano passado, formado apenas por mulheres negras, que compartilhou com Simone Biles e Jordan Chiles. As três competiram no solo e levaram, respectivamente, medalha de ouro, prata e bronze. As americanas Biles e Chiles, cientes do esforço da brasileira para levar o primeiro lugar, fizeram uma reverência a ela, quando subiu no pódio, uma imagem que entraria para a história.

“Foi um momento muito especial aquele pódio com três mulheres pretas”, relembrou Rebeca. “A representatividade a grandiosidade daquele momento foi enorme, não só para mim, mas também para elas. Não estava esperando o que aconteceu no pódio, elas combinaram na hora, (a reverência), e fiquei muito feliz com o carinho gigantesco.”

Rebeca Andrade contou que o clima entre as maiores ginastas do mundo é muito bom e que Simone Biles sempre a apoiou, desde 2018, quando ela ainda se recuperava de uma das primeiras cirurgias no joelho.

“Ela se sentou do meu lado, falou que gostava muito de mim, que era para eu não desistir porque tinha muito potencial”, lembrou Rebeca. “E eu fiquei assim: ‘gente, é a Simone falando comigo? Ela veio por vontade própria e foi muito carinhosa, a gente se respeita muito. Claro que a gente quer ganhar, mas o clima não é hostil. Quando a outra ganha é como se eu tivesse ganhado também, me sinto representada. Então, estamos lá competindo, mas também estamos brincando, zoando. Em Paris, a Biles falou: ‘Tá me fazendo suar, hein, Rebeca?”



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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