Equipe israelense de ciclismo remove nome do país dos uniformes na Volta da Espanha


A Israel Premier Tech substituiu os uniformes de seus ciclistas na Volta da Espanha, removendo o nome da equipe e do país, após os atletas terem sido alvo recorrente de protestos pró-palestinos durante a prova.

A decisão foi tomada antes da etapa deste sábado, a 14ª da competição, em meio a uma semana difícil para a equipe, que enfrentou protestos antes e durante os dias da corrida, além de pressão tanto da comissão organizadora quanto das autoridades espanholas para que abandonasse a prova.

Após descartar a sugestão, alegando que tal ato “abriria um precedente perigoso”, a Israel Premier Tech mudou os uniformes azuis, que agora contam apenas com um “P” e uma estrela estilizada. “Para priorizar a segurança dos nossos ciclistas e de todo o pelotão, diante do perigo de alguns protestos, a equipe decidiu remover o nome do país do uniforme”, explicou a equipe em comunicado.

Na quarta-feira, um protesto em Bilbao, no norte da Espanha, produziu cenas caóticas de uma multidão empurrando as barreiras metálicas temporárias ao longo do trecho final do percurso. Houve uma correria de seguranças e policiais para conter os manifestantes, que quase invadiram a pista, o que teria gerado acidentes de grandes proporções com os ciclistas em alta velocidade. Os integrantes carregavam bandeiras da Palestina e cartazes pró-Palestina.

Os organizadores da corrida cancelaram a etapa de quarta, a cerca de 10 quilômetros do final do percurso, sem vencedor. A organização da prova condenou o protesto de Bilbao, mas seu diretor técnico, Kiko Garcia, pediu à Israel Premier Tech que desistisse ou que a União Internacional de Ciclismo (UCI), órgão regulador do ciclismo, interviesse, pois havia o risco de mais protestos se a equipe continuasse a corrida.

Na quinta-feira, o Ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse que “compreenderia e seria a favor” da retirada da equipe da prova, acrescentando que seu governo não tinha poder para fazê-lo.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou seu apoio à equipe, que pertence ao empresário israelense-canadense Sylvan Adams, dizendo que ela deixa “Israel orgulhoso” e para “não se deixar intimidar”. Israel continua sua invasão militar em Gaza, que matou dezenas de milhares de civis em retaliação aos ataques do Hamas em outubro de 2023.

Apenas um ciclista da equipe é israelense. O americano Matthew Riccitello é o melhor colocado, em sétimo, após 14 etapas concluídas, mais de 4 minutos atrás do líder Jonas Vingegaard. Neste sábado, houve novos protestos contra a presença da equipe israelense na LaVuelta.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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