Em artigo, Bessent critica Fed e diz que políticas ‘extraordinárias’ ameaçam independência


O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, voltou a tecer críticas sobre o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), em artigo de opinião publicado no Wall Street Journal. Para ele, a autoridade monetária dos Estados Unidos vive um “experimento de política monetária de ganho de função”, que ameaça sua independência institucional.

Bessent comparou o uso de instrumentos extraordinários após 2008 a experimentos de laboratório que escapam ao controle: “Uma vez liberados, não podem ser facilmente contidos.”

Segundo ele, o excesso de políticas não convencionais e o inchaço institucional transformaram o Fed em um órgão complexo demais, com “fundamentos teóricos incertos” e incapaz de entregar previsões confiáveis.

O secretário lembrou que, em 2009, o Fed projetou crescimento do PIB real de 4% em 2011, mas a expansão foi de apenas 1,6%. “Cumulativamente, as projeções de dois anos superestimaram o PIB real em mais de US$ 1 trilhão”, escreveu, ressaltando que o banco central depositou “fé excessiva em suas próprias habilidades”.

Bessent também criticou os efeitos distributivos das políticas. Para ele, a busca pelo “efeito riqueza” concentrou ganhos em famílias e empresas já favorecidas, enquanto os mais jovens e menos abastados ficaram “excluídos da valorização” e mais expostos à inflação.

Ao assumir papel ampliado, inclusive regulatório, Bessent diz que o Fed “embaralhou as linhas entre política monetária e fiscal”. Para o secretário, é necessário reduzir distorções, restringir políticas não convencionais a emergências e, nesses casos, aplicá-las “em coordenação com o restante do governo federal”. Ele também defende que a instituição seja submetida a uma revisão independente e apartidária.

“O futuro do Fed depende da confiança pública”, concluiu Bessent em seu artigo no WSJ, defendendo que o banco central volte a se concentrar “apenas” em seu mandato legal de pleno emprego, estabilidade de preços e juros de longo prazo moderados.



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

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