A recente divulgação dos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 trouxe um cenário complexo para a educação brasileira. Embora os dados indiquem uma redução na distância entre o desempenho dos alunos do país e a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), especialistas alertam que esse movimento não reflete, necessariamente, um avanço real na aprendizagem. A aproximação ocorreu, em grande parte, devido à estabilidade dos resultados brasileiros enquanto a média das nações desenvolvidas apresentou recuo.
O Pisa, coordenado pela OCDE, avalia a cada três anos as competências de estudantes de 15 anos em leitura, matemática e ciências. Com os números de 2025, o Brasil permanece abaixo da média da organização nas três áreas. Em matemática, o país registrou 377 pontos, o que representa um atraso de aproximadamente 4,6 anos escolares em comparação aos membros da OCDE. Especialistas apontam que, embora o país tenha evitado uma queda acentuada, o desafio de promover ganhos consistentes de conhecimento permanece como uma barreira crítica.
A análise dos resultados mostra que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para produzir melhorias em escala. Apenas 28% dos estudantes brasileiros atingiram o nível 2 em matemática, considerado o patamar mínimo de proficiência. O cenário é agravado pela falta de alunos nos níveis mais altos de desempenho, o que limita o desenvolvimento de um raciocínio mais sofisticado e a capacidade de resolução de problemas complexos.
Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann, destaca que a geração atual carrega os impactos diretos da pandemia em sua trajetória escolar. A recomposição das aprendizagens é apontada como uma medida urgente para assegurar que os estudantes não fiquem defasados. Sem intervenções focadas na base, a tendência é que as lacunas de conhecimento se perpetuem ao longo da vida acadêmica e profissional desses jovens.
As disparidades internas continuam sendo um dos maiores gargalos do sistema educacional brasileiro. Dados do Pisa 2025 revelam que a diferença de desempenho entre os 25% de estudantes mais favorecidos e os 25% mais vulneráveis é expressiva. Em ciências, por exemplo, essa distância chega a 96 pontos, valor que equivale a quase cinco anos de aprendizado médio. Essa desigualdade reforça a necessidade de políticas públicas que priorizem a equidade no acesso ao conhecimento.
A amostra brasileira no exame contou com 30.140 estudantes, sendo que a grande maioria, cerca de 72,4%, é proveniente da rede estadual de ensino. O perfil dos participantes, majoritariamente de áreas urbanas, reflete a realidade das escolas públicas brasileiras. A busca por uma educação de qualidade, que prepare o cidadão para as demandas do século XXI, exige que a melhoria da aprendizagem seja tratada como uma prioridade nacional e contínua.
Um ponto de atenção na avaliação de 2025 foi o uso de dispositivos digitais. O Brasil apresentou um avanço significativo na restrição de celulares em sala de aula, saltando de 37% em 2022 para 81% em 2025. Essa mudança está alinhada às evidências de que a redução de distrações digitais favorece o foco dos alunos. Contudo, o desafio de manter a atenção profunda persiste, com um aumento notável na chamada leitura apressada e imprecisa.
O uso de Inteligência Artificial para estudos já é uma realidade para 46% dos estudantes, que relatam utilizar a tecnologia semanalmente. Rodrigo Fulgêncio, da Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe), ressalta que o acesso à tecnologia por si só não garante o aprendizado. O foco das escolas deve ser ensinar os alunos a utilizar essas ferramentas para ampliar o pensamento crítico e a capacidade de análise, evitando que a tecnologia atue como um substituto do raciocínio humano. Para mais detalhes sobre o panorama educacional, consulte o portal da Agência Brasil.
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