Dólar cai e fecha a R$ 5,3057, com exterior de olho em impasse orçamentário nos EUA e Fed


O dólar começou a semana em baixa no mercado local, mas manteve-se acima de R$ 5,30 pelo quarto pregão seguido. O movimento refletiu a queda global da moeda americana diante do impasse orçamentário que ameaça paralisar o governo dos EUA e da expectativa de novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).

Com mínima de R$ 5,3057, o dólar à vista fechou esta segunda-feira, 29, em baixa de 0,30%, a R$ 5,3057. A moeda soma perdas de 1,84% em setembro e de 13,88% no ano. Na terça, a rolagem de contratos futuros e a disputa pela última Ptax de setembro devem ampliar a volatilidade.

O real apresentou o melhor desempenho entre emergentes latino-americanos. Operadores citam o otimismo com o encontro entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente norte-americano, Donald Trump, e o tom duro do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento em São Paulo.

A perspectiva de Selic em 15% até, ao menos, o início de 2026 sustenta operações de carry trade, sobretudo com alívio monetário nos EUA. Dados fracos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) para agosto não influenciaram o câmbio.

O superintendente da Mesa de Derivativos do BS2, Ricardo Chiumento, diz que o mercado segue otimista com novo corte do Fed em outubro, apesar de indicadores fortes.

O mercado local acompanhou mais uma vez o ambiente externo, com a fala de Galípolo ajudando um pouco mais o real. O carry continua bastante alto, é o maior dos países do G20″, afirma Chiumento, que alerta para o que vê como “excesso de otimismo” com o aceno de Trump a Lula. “O mercado está se posicionando de forma muito positiva na expectativa dessa conversa. É preciso um pouco de cautela”.

O Dollar Index (DXY) operou em leve baixa, pouco abaixo dos 98,000 pontos. O iene subiu mais de 0,60% após dirigente do Bank of Japan (BoJ, na sigla em inglês) sinalizar alta de juros. Moedas emergentes resistiram ao tombo de 3% do petróleo, provocado por expectativa de oferta maior e possível cessar-fogo na Faixa de Gaza.

Para o economista-chefe da Western Lima, Adauto Lima, fatores externos comandam o dólar aqui. Ele alerta que o impasse orçamentário no Congresso dos EUA, que pode paralisar o governo na quarta, tende a gerar novo estresse. O Bureau of Labor Statistics (BLS) avisou que a divulgação do payroll de setembro, prevista para sexta-feira, 3, pode ser adiada.

“A paralisação do governo pode ter impactos na atividade americana. O balanço de risco do Fed está mais inclinado para a atividade, principalmente para o mercado de trabalho. Na semana passada, os dados vieram mais fortes do que o esperado”, afirma Lima.

O economista prevê que o ciclo de cortes iniciado pelo Fed leve a taxa básica, hoje entre 4,25% e 4,50%, para 3,50% a 3,75%. “Em seguida, ele deve fazer uma pausa. O foco está agora na atividade, mas a inflação ainda está longe da meta”, afirma. Ele vê espaço para o real ganhar força, mas em ritmo menor: “Seria preciso um recuo maior do dólar lá fora para o real se apreciar muito mais.”



Por: Estadão Conteúdo

Estadão

Recent Posts

Gabriel Galípolo alerta sobre riscos de uso indevido do FGC por empresas

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, critica pressão de empresas para uso indevido do FGC…

2 horas ago

TSE bloqueia sistema de filiações partidárias para apurar fraudes em registros de políticos

TSE suspende sistema de filiação partidária após registros indevidos de políticos. Entenda a decisão e…

3 horas ago

Emprego formal no Brasil apresenta redução na desigualdade de gênero

Dados do Ministério do Trabalho mostram que a diferença de gênero no emprego formal no…

5 horas ago

Novas diretrizes ampliam atividades acadêmicas para residentes da área da saúde

Novas regras do MEC permitem que residentes da saúde participem de mestrados, doutorados e pesquisas,…

5 horas ago

TSE ordena restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao PL

TSE determina que filiação de Flávio Bolsonaro ao PL seja restabelecida, permitindo o registro de…

6 horas ago

Câmara dos Deputados aprova novas diretrizes para fortalecer o futebol feminino no Brasil

Câmara aprova projeto que incentiva a profissionalização e igualdade no futebol feminino brasileiro visando a…

8 horas ago

This website uses cookies.