O Dia do Leitor, celebrado em 7 de janeiro, reforça a importância da leitura no desenvolvimento pessoal e no aprendizado contínuo. Estudos mostram que o hábito de ler não apenas amplia o vocabulário e fortalece a escrita, mas também contribui para o pensamento crítico e a criatividade.
Segundo dados da pesquisa Reading at Risk, do National Endowment for the Arts (NEA), nos Estados Unidos, o percentual de adultos jovens entre 18 e 24 anos que leem por prazer caiu de 51% em 1982 para 29% em 2008, evidenciando a necessidade de ações que incentivem a prática da leitura.
Para Thiago Braga, autor de Língua Portuguesa do Sistema de Ensino pH, o Dia do Leitor funciona como um marco simbólico: ” interrompe a rotina, celebra os livros e pode despertar a curiosidade. Esses momentos ajudam a criar memórias afetivas ligadas à leitura, fortalecendo o vínculo dos jovens com a literatura”, afirma.
Durante as férias escolares, esse momento festivo se torna ainda mais valioso. Sem a pressão de provas ou prazos, os estudantes têm mais tempo livre, o que permite retomar ou descobrir o prazer da leitura de forma mais livre e espontânea. Thiago Braga recomenda criar um “cantinho do leitor” em casa, estabelecer metas leves de leitura diária e, acima de tudo, deixar que os alunos escolham suas obras com base nos interesses pessoais.
Livros que equilibram diversão e aprendizado são especialmente recomendados. Obras de ficção histórica, biografias, graphic novels e crônicas são formas envolventes de aprender sem sentir que se está em uma tarefa escolar. Além disso, a leitura literária contribui diretamente para o desenvolvimento de habilidades valiosas para o ENEM e vestibulares: interpretação de texto, repertório sociocultural, pensamento crítico e construção de argumentação, competências altamente exigidas nas avaliações.
Leitura para unir prazer e preparação acadêmica
Para Ana Flávia dos Reis, professora de Língua Portuguesa do Colégio Liceu Pasteur Start Trilingual School, o Dia do Leitor representa uma oportunidade especial para incentivar o hábito da leitura entre os estudantes e ampliar o contato com narrativas diversas. Nesse período mais leve, a leitura pode ser retomada com prazer, criando memórias afetivas e fortalecendo o vínculo com a literatura. Para isso, ela recomenda estabelecer metas flexíveis, priorizando obras menos densas e guiadas pela curiosidade.
A professora destaca que a leitura também desenvolve concentração, amplia o repertório cultural e aproxima o estudante de diferentes estilos de escrita, favorecendo interpretações futuras e o amadurecimento da autoria. “A literatura revela um mundo plural, permitindo que o leitor vivencie realidades distantes das suas e exercite a empatia e o senso crítico. Esse encontro com perspectivas diversas ajuda o jovem a compreender que existem múltiplos modos de existir e enxergar o mundo”, comenta a professora de Língua Portuguesa.
Com o intuito de auxiliar os estudantes do Ensino Médio que querem aproveitar as férias para ler e começar a se preparar para os vestibulares de 2026, Thiago Braga e Ana Flávia dos Reis sugerem oito obras literárias. Confira!
1. Quarto de Despejo (1960)

Escrito pela brasileira Carolina Maria de Jesus, o livro apresenta o diário de Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé, em São Paulo, que registra com sinceridade e potência seu cotidiano marcado pela fome, desigualdade e resistência. A obra, em formato de HQ, oferece um retrato real e profundo das injustiças sociais brasileiras.
2. Capitães da Areia (1937)

Escrito pelo brasileiro Jorge Amado, o livro acompanha a vida de um grupo de meninos de rua em Salvador, liderados por Pedro Bala, revelando seus desafios, afetos e sobrevivência à margem da sociedade. A obra expõe injustiças sociais e a perda precoce da infância. É um retrato humano, crítico e sensível da desigualdade brasileira.
3. A Hora da Estrela (1977)

Escrito pela brasileira Clarice Lispector, o livro narra a vida de Macabéa, uma jovem nordestina invisibilizada pela sociedade, cuja trajetória simples e sofrida é contada pelo narrador Rodrigo S.M. Com estilo marcante, Clarice Lispector explora temas como identidade, solidão e a busca por sentido.
4. Estação Carandiru (1999)

Escrito pelo brasileiro Drauzio Varella, o livro apresenta o cotidiano da antiga Casa de Detenção de São Paulo a partir da vivência do médico voluntário no presídio. Com relatos reais, expõe a rotina dos detentos, a violência estrutural e a desumanização do sistema prisional. É uma narrativa forte, crítica e profundamente humana sobre a vida atrás das grades.
5. O Cortiço (1890)

Escrito pelo brasileiro Aluísio Azevedo, o livro retrata a vida em um conjunto habitacional do Rio de Janeiro do século XIX, expondo relações sociais marcadas por pobreza, ambição e conflitos. A obra utiliza o olhar naturalista para mostrar como o ambiente influencia o comportamento humano e revela tensões da sociedade brasileira.
6. Ideias para Adiar o Fim do Mundo (2019)

Escrita pelo brasileiro Ailton Krenak, a obra reúne reflexões sobre a crise ambiental, social e espiritual causada pelo modelo de vida moderno. O autor propõe uma reconexão com a natureza e com outras formas de existência para questionar o mito do progresso. É um chamado poético e urgente para repensarmos nosso modo de estar no mundo.
7. Angola Janga (2017)

Escrita pelo brasileiro Marcelo D’Salete, a novela gráfica reconstrói a história de Palmares e dos povos que lutaram por liberdade no Brasil colonial. A obra acompanha personagens reais e fictícios em meio a conflitos, resistência e busca por autonomia. Com arte intensa e narrativa profunda, revela a força e a complexidade do quilombo.
8. Torto Arado (2019)

Escrito pelo brasileiro Itamar Vieira Junior, o livro acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia no sertão baiano, revelando segredos familiares, tradições e conflitos marcados por desigualdade e resistência. A narrativa expõe tensões sociais, espirituais e históricas das comunidades rurais brasileiras.
Por Patrícia Martins Buzaid
Fonte: Portal EdiCase







